Liderados
pelo experiente Buddy DeFranco, músicos jovens
e alguns veteranos levaram a platéia do Alfa Real,
por cerca de uma hora e meia, aos velhos bons tempos da
era do swing.
Piano,
contrabaixo, bateria e seção de metais disposta
no palco no tradicional estilo das bigbands e o clarinete
veloz e melodioso de Buddy DeFranco entusiasmaram ontem
a pláteia com os grandes sucessos da orquestra
do clarinetista Artie Shaw que hoje aos 94 anos já
não acompanha mais a banda em turnes.
Atrás das estantes de partituras que trazem o nome
do bandleader com a mesma tipografia da época,
tres trombonistas, um quinteto de saxofones e quatro trompetes
se revezaram levantando para solar ou formar vozes. O
programa comecou com o tema dos irmãos Gershwin,
S'Wonderful, no qual os trombonistas Douglas Elliot e
Kenneth Wenzel (veterano/promessa) puderam mostrar toda
sua técnica em um duelo cheio de swing.
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De Franco, velocidade e lirismo
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O
jovem sax tenor Mathew Koza também chamou a atencao
com solos comoventes e timbre elegante que levam a crer
que Lester Young seja um de seus ídolos. Franzino
e isolado atrás de um enorme piano de calda, o
também jovem Paul Odeh demonstrou classe em solos
economicos e ostinatos em que transpareciam as influencias
de Thelonious Monk e Horace Silver.
A
cozinha formada pelo contrabaixo de Bronilaw Suchanek
e o baterista Mark Holovnia não deixou por menos.
Bronilaw executou solos irrepensíveis, inventivos
e de sonoridade nítida demonstrando maestria tambem
ao tocar com arco, enquanto Mark tirava belos sons de
seus pratos.
A
cantora Connie Brink fez interpretacões de bom
gosto, com uma bela voz cantou sem excessos temas como:
The Ladie is a Tramp e Do Nothing 'till you
Hear from Me, compensando qualquer falta de charme
ao se dirigir a platéia com razoável portugues
No
trompete, Trent Austin, com cara de menino, rendeu uma
homenagem ao trompetista Roy Eldridge, integrante da orquestra
por muitos anos, numa bela interpretacão do standart
Stardust. O show adquiriu aspecto mais intimistas
quando alguns temas foram apresentados em quarteto ou
quinteto com Buddy DeFranco liderando e as vezes duelando
com trompetista e trombone. Um dos trompetistas surpreendeu
a todos com uma convincente imitacão de Louis Armstrong
cantando a manjada What a Wonderful World.
Os
temas que consagraram a orquestra de Artie Shaw, como
Frenesi, Begin the Beguine e September in the Rain ao
serem anunciados arrancavam aplausos entusiasmados liderados
pelas cabecinhas brancas da platéia que ao final
do programa ainda pediam por mais um bis.
por
Fernando Jardim
