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Terra Brasil e convidados
Ricardo Garcia e Renato Anesi

(Supremo – SP)

 

Na melhor tradição da música instrumental brasileira como o próprio nome sugere, o quinteto Terra Brasil fez na noite de segunda no Supremo uma apresentação saborosíssima, trazendo as músicas de seu próximo disco que deverá se chamar Questão de Tempo.

Com o samba 2001, composição de Sérgio Gomes, o quinteto abriu a noite, puxados pela bateria do autor do tema, e liderados pelo som onírico do sax soprano de Victor Alcântara que com seu timbre nítido improvisou belas linhas melódicas.

A noite seguiu adentro com o quinteto demonstrando toda sua sensibilidade musical e o domínio dos ritmos brasileiros, tocando samba, capoeira, maracatu, choro. A introdução de Voando Baixo chamou a atenção pelos harmônicos do baixo contrapondo com o cymbal e pelos solos de Zeli e Sérgio Gomes, fluentes e com resoluções criativas.

Em sentido horário comecando às seis:
Antônio Barker, Victor Alcântara, Marcelo Gomes,
Zeli e Sérgio Gomes

Nesta temporada no Supremo o grupo convida a cada noite músicos diferentes. Na última segunda-feira, o percussionista ex-integrante do Terra Brasil, Ricardo Garcia subiu ao palco com seus vários apetrechos percussivos. Com o berimbau acompanhou a curiosa Chino, uma "capoeira chinesa", criando com os vibratos do instrumento uma atmosfera oriental enquanto acordes mântricos soavam da guitarra.

Outro convidado da noite foi o multiinstrumentista e virtuose Renato Anesi. Com Zeli no baixo empunhou o pouco conhecido violão tenor. O diálogo das cordas apresentou uma delicada versão de Carinhoso com os dois músicos alternando solos e impressionou pelo lirismo e a escolha das notas. Terminou o show no palco tocando ainda composições próprias, temas do quinteto e uma maravilhosa versão de Batendo à Porta de João Nogueira com Anesi desafiando Marcelo Gomes num duelo de guitarra e bandolim.

Merece atenção especial o som encorpado, a sincopa, a articulação mais os belos harmônicos saídos do imponente baixo de seis cordas. Ao deixar o palco, Renato Anesi não poupou elogios à Zeli, que o acompanha em seus shows e no disco Rosa dos Tempos. Anesi tocou a ainda menos conhecida viola requinte (um violão menor afinado em sol) e o bandolim, todos com admirável destreza.

O quinteto apresentou maturidade e o entrosamento de músicos que já tocam juntos há muito tempo. O grupo surgiu há mais ou menos dez anos com o nome Terra de Ninguém quando gravaram o primeiro disco. A princípio era um quarteto com os dois irmãos Gomes, Zeli e A. C. Neves Pinto ao piano. Sofreu alterações, mantendo-se o trio guitarra, bateria e baixo e hoje se apresenta como um quinteto com Victor Alcântara no sax soprano e tenor e Antônio Barker ao piano.

No próximo dia 11, o quinteto convida ao palco do Supremo, André Abujamra.

F.J.

 

 

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