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Art Tatum (1910-1956) > piano
Art
Tatum foi um dos gênios máximos do piano jazzístico
moderno, um solista por excelência, e um virtuose incomparável.
Nascido em Toledo, Ohio, em 1910, e quase totalmente cego desde
a infância, desenvolveu uma personalidade introvertida,
porém seu talento musical sempre foi extraordinário.
Tocou com pequenos grupos em clubes, tanto solando como acompanhando,
até que alcançou considerável notoriedade
entre o público iniciado ao formar seu próprio trio
em 1943, com o contrabaixista Slam Stewart e o guitarrista Tiny
Grimes (que, a partir de 1952, seria substituído por Everett
Barksdale). Tatum tocou também com outros grupos (inclusive
com o clarinetista Barney Bigard, o sax-alto Benny Carter, o vibrafonista
Lionel Hampton e o sax-tenor Ben Webster), e principalmente como
solista. Numa verdadeira maratona de estúdio, em 1953 gravou
oitenta faixas solo (treze discos) para Norman Granz, o produtor
do Jazz at the Philarmonic.
Considerado por muitos músicos como o maior
de todos os pianistas, Tatum desenvolveu um estilo que é
ousado, porém não revolucionário como o de
Charlie Parker; atual, porém
sem apresentar uma contínua evolução interna,
como aconteceu com Coleman Hawkins
e Louis Armstrong; admirado por
muitos, porém sem deixar seguidores no sentido estrito
do termo (nem mesmo imitadores), como ocorreu com Dizzy
Gillespie, o guitarrista Charlie Christian e outros . Tudo
isso se explica, talvez, pelo fato de se tratar de um estilo profundamente
pessoal, que se coloca um tanto à margem das tendências
estilísticas, se podemos dizer assim. Nisso Tatum foi favorecido
por sua técnica estupenda e pela memória prodigiosa,
que lhe permitiam fazer facilmente o que aos outros pianistas
custava muito esforço. Talvez o músico que mais
se aproxime de Tatum no sentido de ser difícil de classificar
e imitar é Thelonious Monk;
porém a Monk falta o virtuosismo de Tatum, e a Tatum falta
o radicalismo de Monk.
A música de Tatum é singular. Sem
se afastar do repertório standard do jazz (não sentia
grande inclinação para compor), Tatum tecia variações
sem fim sobre esse material. O tema praticamente sumberge sob
ondas de ornamentos e arpejos tocados a grande velocidade. Os
críticos Richard Cook e Brian Morton acertam ao dizer que
Tatum freqüentemente lançava mão de um tema
familiar e seguia uma fórmula, porém impondo variações
infinitesimais. De fato, de uma interpretação para
outra do mesmo tema existem diferenças sutis porém
importantes de abordagem.
(V.A. Bezerra, 2001)

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