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Carla Bley (n.1938) > piano, órgão, teclados, bandleader, arranjadora
Nascida
Carla Borg em Oakland, Califórnia, Bley começou
a estudar música com seu pai, que era professor de piano
e organista de igreja, mas teve aulas por pouco tempo e a maior
parte de sua formação foi obtida como autodidata.
Quando foi para Nova Iorque precisou trabalhar como garçonete.
Em, 1957 casou-se com o pianista canadense Paul Bley e logo começou
a compor. Suas composições foram interpretadas por
Paul, George Russell, Jimmy Giuffre, Art Farmer, Gary
Burton e Charlie Haden. Após
se separar de Paul, passou a tocar, em janeiro de 1964, com o
baterista Charles Moffett e o saxofonista Phaorah
Sanders.
Em
dezembro daquele ano, foi convidada por Bill Dixon para a Jazz
Composers Guild, uma associação de músicos
de vanguarda da qual também participariam Sun Ra, Archie
Shepp, John Tchicai e Cecil Taylor,
entre outros. Junto com seu segundo marido, o trompetista Mike
Mantler, liderou a Jazz Composers' Guild Orchestra, depois
conhecida simplesmente com Jazz Composers' Orchestra. Em
1966, Bley e Mantler fundaram a Jazz Composers' Orchestra Association
(JCOA), nos moldes da extinta Guild. Em 1969, Bley compôs
e fez arranjos para a Liberation Music Orchestra de Charlie
Haden. Em 1971 conclui sua ópera Escalator Over
The Hill, para uma superorquestra crossover que incluía
Jack Bruce, Don Cherry, Linda Ronstadt, Gato Barbieri, John
McLaughlin, Dewey Redman e Charlie
Haden, entre outros. Nos anos 70 e 80, Bley continua a dirigir
a JCOA, compor, fazer turnês e gravar para seu próprio
selo, Watt. Após o fechamento da JCOA, Bley seguiu trabalhando
com uma nova big band. Devem ser registrados ainda os duetos
e co-lideranças de Bley com o contrabaixista Steve Swallow.
A estranha música
desta pianista, compositora e bandleader é difícil
de classificar. Como nota o crítico André Francis,
dentro de Carla Bley parecem coexistir diferentes personalidades
independentes e até conflitantes. Se for preciso buscar
uma analogia em outros gêneros de música, o nome
que nos ocorre antes de qualquer outro é o do peculiaríssimo
compositor francês do início do século XX,
Erik Satie. As características da música de Satie
estão todas presentes na música de Carla Bley: os
títulos irônicos, o gosto pelas sonoridades grotescas,
as citações feitas com fins paródicos, a
repetição ad nauseam de padrões rítmicos,
e o uso abertamente kitsch de clichês da música
mais comercial - às vezes claramente irônico, porém
às vezes perpetrado com uma candura tal que nos deixa em
dúvida se, desta vez, ela está mesmo falando
aquilo a sério. Também assim como em Satie, tudo
isso vem amarrado por um manejo perversamente competente da técnica
composicional e orquestral, que aqui e ali nos lembra que, por
baixo de toda aquela aparente anarquia e paródia, existe
na realidade uma mente musical solidamente embasada a mexer as
cordinhas. Não sendo uma virtuose de seu instrumento, Carla
Bley desenvolveu um estilo instrumental bastante peculiar, reservando
as passagens mais difíceis a solistas tecnicamente mais
bem preparados.
(V.A. Bezerra, 2001)

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