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Os grandes do Jazz (Ed. Del Prado) nº.29, p.7
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Chet Baker (1929-1988) >trompete, voz
Figura mitológica
do jazz, em grande parte por fatores extra-musicais, o que não
significa que sua música não seja extraordinária,
Chesney (Chet) Baker nasceu em Oklahoma e foi criado em um subúrbio
de Los Angeles, Califórnia. De seu pai, guitarrista amador
de bandas de coutry, além de herdar o nome herdou também
o amor pela música; foi ele quem lhe deu um trompete quando
fez treze anos, para que pudesse entrar para a banda do colégio.
No entanto não era muito dado a estudar música.
Costumava dizer que sempre se safou por ter excelente ouvido.
Aos dezessete anos
sai da escola e, acrescentando um ano em seus documentos, entra
para o exército, onde em pouco tempo é transferido
para Berlim tocando na banda. É nesse período de
pouco mais de um ano na Europa que ouve jazz pela primeira vez,
através de discos de Stan Kenton
e Dizzy Gillespie transmitidos
pela rádio do exército. Ao sair do exército
ameaça voltar aos estudos, mas logo abandona seus estudos
de teoria musical no El Camino College e vaga por Los Angeles
ouvindo Miles Davis, Fats Navarro
e participando de jam sessions tarde da noite.
Sem motivo aparente
decide se realistar no exército. Volta a tocar na banda
militar, porém algum tempo depois é transferido
para o deserto do Arizona, o que não era exatamente o lugar
ideal para grandes farras. Entediado, deserta e volta para o agito
de Los Angeles. Algum tempo mais tarde, tentou se alistar mais
uma vez, e fizeram-no passar por testes psiquiátricos que
o classificaram como mentalmente inapto para servir.
Chet Baker estava
se apresentando regularmente por Los Angeles quando ficou sabendo,
por seu empresário, que Charlie
Parker estava à procura de um trompetista para acompanhá-lo
em sua turnê pela costa oeste e Canadá. Foi correndo
para o Tiffany´s Club onde o sax alto estava fazendo a audição.
A sessão terminou quando Parker ouviu o trompetista, então
com 22 anos. Baker tinha grande afeição por Charlie
Parker, por sua gentileza, honestidade e pela maneira como protegia
os músicos da banda, tentando mantê-los longe da
heroína (que tanto lhe corroía) e arrumar-lhes,
com os gerentes de clubes, algum dinheiro extra pelas apresentações.
O jovem trompetista costumava levar Parker para cima e para baixo
em seu automóvel, já que o pai do bebop
não era muito afeito ao volante.
Em 1952, quando Gerry Mulligan começou a formar seu famoso quarteto sem piano,
escolheu Baker, com quem já havia tocado em jam sessions,
para dividir a frente do palco. A formação foi um
sucesso incrível e se apresentou em clubes lotados por
cerca de um ano, antes de Mulligan pegar noventa dias na prisão
por posse de heroína. Com a saída de Mulligan, Baker
convidou para substituí-lo o pianista Russ Freeman. Viajaram
pelos EUA com grande sucesso, e nessa época Chet Baker
começou a ganhar prêmios nas revistas especializadas.
Após discussões envolvendo dinheiro o quarteto se
desfez e Baker seguiu para a Europa, encontrando terreno fértil
para sua música; a turnê ia bem até a morte
do pianista de 24 anos, Dick Twardzik, por overdose. Sozinho,
permaneceu na Europa tocando com músicos de todos os níveis.
De volta aos EUA,
começou a consumir heroína e a ser preso; sem uma
autorização para tocar em lugares que servissem
bebidas, resolveu voltar para a Europa. Vive e toca na Europa
pelos próximos quatro anos, sediado na Itália, onde
também é preso por drogas. Casa-se e tem um filho.
Em 1964 volta novamente
aos EUA, agora dominados pelo rock dos Beatles, restando pouco
espaço para os músicos de jazz. Isso o leva a gravar
discos comerciais de baixo valor artístico. Nessa mesma
época perdeu diversos dentes em conseqüência
de um briga acerca de uma negociação de heroína.
Foi obrigado a praticamente abandonar o instrumento de 1970 a
1973, quando tenta retomar sua carreira. Em viagem pelo Colorado
para visitar um velho amigo, ouve Dizzy
Gillespie tocar em um clube. Foi o início do seu retorno.
Quando Gillespie ficou sabendo do esforço de Baker para
voltar à cena, ligou para o gerente do famoso Half Note
Club, arrumando-lhe uma temporada de três semanas em Nova
Iorque.
Chet Baker foi o
músico cool por excelência,
não só musicalmente, sendo um dos pais daquele estilo,
como também na atitude de calculada indolência, que
se tornou famosa. O jeito "cool", porém, escondia
na realidade um temperamento esquentado. A devastadora dependência
de drogas fez com que durante décadas Chet se visse num
labirinto infernal de crises pessoais, contratos interrompidos,
brigas, internações e prisões. Sua aparência
sofreu ao longo da vida uma transformação impressionante,
devido ao uso de heroína e suas conseqüências.
O outrora belo e jovem trompetista aos quarenta anos parecia estar
com sessenta, e aos cinqüenta parecia beirar os oitenta.
Milagrosamente, o
gênio musical de Chet parecia se manter intacto mesmo com
tudo isso, como atesta a sua discografia surpreendentemente vasta.
Além de ser um mestre do trompete, com uma sonoridade etérea
e sem vibrato que se aproximava da de Miles
Davis, usando poucos agudos e preferindo os tempos lentos
e as atmosferas melancólicas, Chet também gostava
de cantar, com uma voz pequena e frágil que às vezes
evoca Billie Holiday
(V.A. Bezerra, 2001)

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