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Berendt / Feather et al - História do Jazz (Abril Cultura), p.76
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Coleman Hawkins (1904-1969) > sax tenor
Coleman
'Bean' Hawkins é uma figura notável na história
do jazz, por diversas razões. Em primeiro lugar, e mais
obviamente, por ser ele o pai do sax
tenor moderno (papel que possivelmente divide com Lester Young).
Na época em que Hawkins ingressou na cena musical, o sax
tenor ainda era considerado basicamente um instrumento de acompanhamento,
sendo incomum a sua utilização como solista. Em
segundo lugar, porque, como lembra o estudioso Kenny Berger, a
carreira de Hawkins foi longa e produtiva: tendo começado
a tocar mais ou menos na época em que foram feitas as primeiras
gravações de jazz, ele prosseguiu durante a era
do bebop e do swing,
e chegou a testemunhar as vanguardas do final dos anos 60.
Finalmente,
porque, ao longo de tão longa carreira, o estilo de Hawkins
evoluiu continuamente. Ele nunca se amoldou de boa vontade ao
papel de "velho mestre". Não ficou restrito ao
papel de grande solista da era do swing: foi um grande solista
moderno, no sentido amplo.
Em
1923, aos 16 anos, Bean chegou a Nova York para acompanhar a cantora
de blues Mamie Smith. De 1923 a 1934 tocou na mãe de todas
as big bands, a Fletcher Henderson Orchestra. Em seguida foi para
a Europa, e ao voltar para os EUA, em 1939, gravou "Body
and Soul", que foi um de seus maiores sucessos. Tocou com
quase todos os grandes músicos do bebop, e também
participou do Jazz At The Philarmonic de Norman Granz. Chegou
a experimentar fazer gravações como solista sem
acompanhamento ('Picasso', de 1947). Nos anos 50 e 60 liderou
diversos grupos pequenos, rodeando-se de músicos do primeiro
time, que o respeitavam muito.
Hawinks
possui ao sax tenor uma sonoridade cheia e encorpada. Sabe tanto
ser vibrante e intenso nos temas rápidos e dramáticos
como meditativo e sereno nas baladas lentas. (Miles
Davis diz que aprendeu a tocar baladas ouvindo Hawkins.) É
um grande improvisador: seu discurso musical é um fluir
consistente e incessante de idéias. A serenidade e o equilíbrio
da música correspondiam às características
do ser humano: Hawkins não era um personagem polêmico
nem dado a atitudes impensadas. (VAB)

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