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Django Reinhardt (1910-1953) > guitarra
Nascido em um acampamento
cigano na Bélgica em 1910, Jean Reinhardt até os
dez anos viajava pela Bélgica, França, Itália
e norte da África com sua família e a caravana de
ciganos à qual pertenciam. Seu pai era violinista, e desde
de bem novo Django demonstrava grande habilidade com o instrumento,
por vezes fazendo pequenas apresentações junto com
a banda liderada por seu pai. Aos quinze já era a estrela
do espetáculo cigano.
Alguns anos mais
tarde, quando tinha seus dezoito anos, a caravana onde dormia
pegou fogo e Django sofreu queimaduras graves. Parece que naquele
dia sua mulher havia enchido a caravana com flores secas e, ao
se levantar à noite, Django chutou uma lamparina, pondo
fogo nas plantas secas. Sua perna direita ficou tão queimada
que os médicos chegaram a considerar a amputação
- que foi enfaticamente descartada pelo paciente. A sua mão
esquerda também ficou bastante queimada, deixando os dedos
anular e médio praticamente sem movimentos. Django ficou
bastante deprimido, e seu médico recomendou que tocasse
violão, por exigir da mão esquerda menos que o violino,
e também como forma de terapia física e mental.
A medida teve grande efeito, e dois anos depois Django já
havia desenvolvido uma técnica própria incrível
adaptada a sua deficiência.
Por volta de 1930
Django ouviu pela primeira vez os discos de Duke
Ellington e Louis Armstrong.
Ficou tão encantado com o swing do jazz que decidiu formar,
em 1934, junto com o violinista Stéphane Grapelli, o Quintette
du Hot Club de France. Participavam do quinteto, além
de Grapelli e Django, seu irmão Joseph e Roger Chaput no
violão, mais Louis Vola no contrabaixo. A fama do quinteto
começou a se espalhar, inclusive além-mar, e músicos
americanos como Benny Carter e Coleman
Hawkins não perdiam a oportunidade de tocar com ele
em suas visitas a Paris. Quando começou a segunda guerra
mundial o quinteto estava excursionando pela Inglaterra e voltou
imediatamente para a França, com exceção
de Grapelli, que ficou por lá. De volta a Paris, o violino
foi substituído pelo clarinete de Hubert Rostaing.
Em 1943, Django casou-se
com Sophie Ziegler, com quem teria um filho um ano mais tarde,
Babik, que também seguiu a carreira musical. Consta que
Django era um grande gastador. Torrava qualquer dinheiro que caísse
em sua mão - geralmente em algum tipo de aposta ou na mesa
de bilhar, onde também demonstrava muita habilidade.
Com o fim da guerra,
Grapelli voltou a integrar o quinteto, que agora se preparava
para partir em uma excursão pelos EUA organizada por Duke
Ellington. A visita culminou com a apresentação
do quinteto no Carnegie Hall ao lado do bandleader. Na segunda
metade da década de 40, Django fez inúmeras gravações,
tanto nos EUA como na França, que lançaram seu estilo
definitivamente para o resto do mundo e para sempre na história
da música. Era uma das figuras mais respeitadas de Paris.
Porém em 1951,
aparentemente cansado dos aborrecimentos que cercavam a comercialização
de sua música, pôs seu violão de lado e aposentou-se
na pequena cidade francesa de Samois-sur-Seine, onde passou o
resto de seus dias a pintar e pescar. Só voltou a gravar
um mês antes de sua morte, em maio de 1953, causada por
um derrame fulminante.
Fernando Jardim

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