Um
dos mais famosos músicos do Harlem dos anos 20, Thomas
Fats Waller começou a tocar piano ensinado
pela mãe que tocava na igreja. Seu pai era pastor batista
e pregava ao ar livre. Ainda garoto, ganhou um concurso de talentos
interpretando o tema Carolina Shout de seu futuro
professor James P. Johnson, precursor de outro estilo de tocar
piano que surgia no Harlem, o stride.
Aos
quinze anos, para desapontamento de seu pai, que queria para ele
a carreira de pastor, consegue seu primeiro emprego como músico,
tocando um orgão valiosíssimo no Lincoln Theatre.
Cai de vez na cena musical nova-iorquina, tocando em rent parties,
em salas de cinema mudo e peças do Vaudeville. As rent
parties eram festas feitas para arrecadar dinheiro a fim de
ajudar o anfitrião a pagar o aluguel.
Em
1927 escreve, junto com seu mestre James P. Johnson, seu primeiro
musical para o Vaudeville. Dois anos mais tarde compõem
as músicas para o musical Hot Chocolates, que traziam
letras de seu amigo Andy Razaf. O repertório incluía
a clássica Ain´t Misbehavin, que
era cantada no espetáculo pelo jovem Louis Armstrong.
Waller
tornou-se definitivamente famoso após uma festa na casa
de George Gershwin. Lá estava um executivo da gravadora
Victor, que se impressionou com a habilidade técnica de
Waller e sua grande capacidade em entreter as pessoas com suas
caretas, brincadeiras vocais, ritmo acelerado e letras divertidas.
O próprio Waller descobriu sua habilidade como showman
ainda na escola quando, em recitais, fazia a plateia rir revirando
os olhos ou fazendo sons com a boca.
Waller
participou de mais de 400 gravações, tocando ao
lado de Albert Hunter, Sidney Bechet, Fletcher Henderson entre
outros. Influenciou pianistas de todos os estilos - de Art
Tatum a Joe Zawinul; Count Basie
teve o privilégio de ser seu aluno por algum tempo. O sucesso
de Fats não se limitou ao jazz, alcançando todos
os tipos de audiência, o que o levou a participar de três
filmes e a excursionar por todos os EUA e Europa. Sua vida desregrada
e o estresse de um divórcio litigioso o levaram à
morte, vítima de pneumonia, em um trem de volta para Nova
Iorque. Tinha recém-completado 39 anos.
Ferando Jardim