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Joe Pass (1929-1994) > guitarra
Joseph Anthony Passalaqua,
o maior guitarrista do jazz moderno, teve um início de
carreira tumultuado. Nascido em New Brunswick, já tocava
em conjuntos profissionais quando ainda estava no colégio,
incluindo a banda de Tony Pastor. Tocou com a banda de Charlie
Barnet em 1947 e depois foi prestar o serviço militar.
Após ser dispensado, passou os anos 50 às voltas
com um vício em drogas, tendo inclusive passado algum tempo
na prisão por causa disso. Essa foi, na prática,
uma década perdida em termos profissionais para Joe.
Em
1962, livre das drogas, graças a um período de reabilitação
na Synanon Foundation, reemergiu para o mundo da música
(ou seria melhor dizer emergiu, uma vez que até então
era quase um desconhecido). Foi uma entrada fulgurante, assombrando
a todos com seu modo de tocar a guitarra. Tocou com Gerald Wilson,
Les McCann, George Shearing e Benny Goodman. Com o apoio de Norman
Granz, do selo Pablo, com quem assinara contrato em 1973, gravou
muito como solista e também tocou com grandes nomes do
jazz, incluindo Ella Fitzgerald,
Count Basie, Duke
Ellington e Dizzy Gillespie.
Em particular, Pass teve uma longa colaboração com
Oscar Peterson, com quem tocou
em duo, e com o acompanhamento do contrabaixista Niels-Henning
Orsted Pedersen, entre outros. Joe permaneceu ativo praticamente
até sua morte, causada pelo câncer.
A
técnica de Joe Pass beira o impossível, fazendo
as passagens mais difíceis soarem absolutamente naturais,
porém ele nunca se deixa levar pelo exibicionismo. Sua
música é sempre sutil, coerente e bem construída,
e sua harmonia é sofisticada. Como observam Richard Cook
e Brian Morton, Pass suaviza o nervosismo do bebop,
e contudo opõe à obviedade do swing
uma complexidade que permanece, não obstante, plenamente
acessível. Sempre extraindo da guitarra um som cristalino
- mesmo em meio às guitarras distorcidas e amplificadores
superaquecidos dos anos 70 e 80 - Pass reafirmou o valor perene
da guitarra limpa no jazz. A densidade musical e o
bom gosto são, na verdade, as qualidades que colocam Joe
Pass um passo adiante do outro supervirtuose da guitarra, Wes
Montgomery. Também é digna de nota a maneira
de ser e de se apresentar de Joe - sempre calmo, modesto e cordial,
sem nada da atitude de grande astro.
(V.A. Bezerra, 2001)

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