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Fusion

Artistas relacionados:

Billy Cobham
Chick Corea
Jean-Luc Ponty
John McLaughlin
Return to Forever
Weather Report

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Mahavishnu Orchestra
> guitarra, violino, teclados, contrabaixo, bateria

A Mahavishnu Orchestra, juntamente com o Return to Forever de Chick Corea e o Weather Report de Joe Zawinul, formou a linha de frente das mais famosas formações do jazz-rock. Sua produção relativamente pequena (cinco discos oficiais lançados durante a existência da banda) se tornou cult.

O grupo foi acima de tudo uma criação do guitarrista John McLaughlin, à sua imagem e semelhança. McLaughlin, após tocar no histórico grupo de Miles Davis, nos álbuns In a Silent Way e Bitches Brew, e participar também do Lifetime de Tony Williams, lançou-se em 1971 ao projeto de formar seu próprio grupo. O nome Mahavishnu Orchestra denuncia o interesse de John pela filosofia oriental, do mesmo modo que os títulos dos discos lançados pelo grupo.

Inicialmente o grupo contava com a presença de McLaughlin à guitarra, Billy Cobham na bateria, Jerry Goodman ao violino, Jan Hammer nos teclados e Rick Laird ao contrabaixo. Essa formação gravou três discos (The Inner Mounting Flame, Birds of Fire e Between Nothingness and Eternity) e fez furor junto a um público mais amplo do que o do jazz, graças ao estilo próximo do rock progressivo, ao virtuosismo de seus integrantes e ao alto grau de sofisticação do material sonoro apresentado.

A segunda formação da Mahavishnu, de maiores proporções, contava com Jean-Luc Ponty ao violino, mais a tecladista e vocalista Gayle Moran, o baixista Ralphe Armstrong (que depois tocaria no grupo de Ponty) e o baterista Narada Michael Walden, entre outros. McLaughlin, sempre desejoso de pintar quadros sonoros grandiloqüentes, usuou fartamente recursos de orquestra sinfônica (dirigida por Michael Tillson Thomas, um regente amigo da fusion). Esta formação lançou dois discos: Apocalypse e Visions of the Emerald Beyond.

Analisar criticamente um grupo tão querido de certa parcela do público quanto a Mahavishnu Orchestra nem sempre é tarefa fácil. O grupo se coloca (ou foi colocado, o que na prática dá no mesmo) como um conjunto de jazz-rock, que em tese vem a ser um gênero de jazz. Por isso, deve ser julgado por parâmetros jazzísticos. Em que pese a sua evidente qualidade artística, o som da Mahavishnu Orchestra não é jazz, rigorosamente falando. E isso por razões perfeitamente objetivas (e não por causa de alguma polêmica do tipo “antigos versus modernos”). Como sabemos, o jazz possui dois elementos fundamentais que o definem. Um é o swing, outro é a improvisação. Em primeiro lugar, embora a música da Mahavishnu seja fortemente rítmica, com síncopas, compassos 5/4, mudanças de andamento, etc, ela não possui swing no sentido jazzístico do termo. (Como já analisamos alhures, o swing pode ser caracterizado como um equilíbrio entre tensão e relaxamento na emissão das notas, ou, colocando de outro modo, como um “halo” de flexibilidade ao redor da posição original de cada nota.) Em segundo lugar, é certo que os integrantes da Mahavishnu improvisam, e de fato o fazem com bastante virtuosismo - porém esse improviso não se dá numa perspectiva jazzística, isto é, desenvolvendo um tema, explorando as possibilidades de sua melodia ou mesmo apenas da sua seqüência de acordes. Trata-se de um improviso muito mais baseado em fórmulas, como ocorre no rock, do que em temas.

Por essas razões pode-se dizer que a Mahavishnu Orchestra está muito mais próxima do rock progressivo do que do jazz. Assim, seus pares não seriam os Jazz Messengers, o quarteto de John Coltrane ou o grupo de Miles Davis, mas talvez Frank Zappa, Focus, Jethro Tull e outros. Em todo caso, deve-se reconhecer que, mesmo diante de companhia tão ilustre, o grupo formado por John McLaughlin deixa, com todos os méritos, a sua marca.


(V.A. Bezerra, 2001)



 

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