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Gigantes do Jazz - Max Roach (Abril Cultural)
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Max Roach (n.1924) > bateria
Filho de uma cantora
de gospel, Maxwell Lemuel Roach começou a tocar bateria
aos dez anos e depois estudou na Manhattan School of Music. Aos
dezoito anos já tocava no Monroes Uptown House
(onde era o baterista titular) e no Mintons Playhouse
- vale dizer, estava no lugar certo e na hora certa para tomar
parte em um grande acontecimento: o nascimento do bebop.
Roach teve a oportunidade de acompanhar quase todos os principais
nomes do novo estilo; em particular, nos anos seguintes fartou-se
de tocar com Charlie Parker, Dizzy Gillespie, Kenny Clarke e Bud Powell,
e participou de inúmeras gravações antológicas
na segunda metade dos anos 40. Em 1952, fundou a Debut Records
juntamente com Charles Mingus,
e em 1953 fez sua primeira sessão de gravação
como líder. Em 1954 formou com o trompetista Clifford
Brown um quinteto que se tornaria uma referência dentro
do hard bop, infelizmente
sofrendo um forte baque com a morte prematura de Brown em 1956.
(Kenny Dorham então assumiria
o lugar de Brown.)
Em 1960, após
uma importante manifestação negra de Grensboro,
na Carolina do Norte, Roach gravou We Insist! Freedom Now Suite,
disco que selou seu engajamento com o movimento dos direitos civis
nos EUA, do qual participaria ativamente durante os anos 60. Para
isso contribuiu o incentivo recebido da cantora e ativista Abbey
Lincoln, com quem Roach foi casado entre 1962 e 1970. Em 1970,
Roach formou um supergrupo de percussão, o MBoom,
que se manteria ativo durante as décadas seguintes. Em
1972 foi nomeado professor na Universidade de Amherst, Massachussetts.
Durante os anos 70, fez duos com importantes músicos de
vanguarda, como Archie Shepp, Anthony
Braxton e Cecil Taylor. Nos
anos 80, gravou com uma inovadora formação de quarteto
duplo (quarteto de jazz + quarteto de cordas). Mais recentemente,
experimentou a aproximação com a música oriental,
em particular a música chinesa (Beijing Trio, de
1998).
Com Max Roach, a
bateria no jazz atinge a maturidade. A revolução
da qual ele representa o ponto culminante fora iniciada por Sidney
Catlett e, principalmente, por Kenny Clarke, porém a bateria
ainda não se libertara completamente de uma posição
subordinada, de mera acompanhante. Roach executa a transição
para uma bateria que se coloca no mesmo plano dos outros instrumentos,
podendo mesmo assumir o papel de líder. Mais importante
ainda, Roach confere à bateria um discurso próprio.
Os críticos Richard Cook e Brian Morton levantam a interessante
tese de que todas as revoluções no jazz são,
em última análise, revoluções na seção
rítmica. Tal tese se ajusta bem pelo menos ao caso de Roach.
Não apenas ele é um inovador na linguagem de seu
instrumento como teve participação ativa na gênese
de pelo menos dois estilos musicais: o bebop
e o hard bop. E é
visível o quanto esses estilos devem a bateristas como
Roach, Clarke e Art Blakey.
Roach conduziu durante
toda a carreira uma intensa experimentação musical
que desafia classificações: primeiro o bebop,
depois o hard bop, o M'Boom,
as performances solo, os duos, os quartetos de cordas e as grandes
formações. Dos anos 70 em diante, ele deu um salto
qualitativo, mostrando estar sintonizado com o que há de
mais avançado na música contemporânea, e passando
a incorporar em sua música uma investigação
sobre a própria noção de tempo musical. Além
de virtuose consumado de seu instrumento, Roach sempre demonstrou
uma notável abertura em relação a novas influências
e novas linguagens. Finalmente, como vimos, a influência
de Roach não se limita ao conteúdo propriamente
musical: trata-se de um artista engajado, que colocou em sua arte
a preocupação com a questão dos direitos
civis nos EUA, com a situação do continente africano,
e com a valorização da cultura e da música
do chamado terceiro mundo. Podemos dizer que, sem dúvida,
Max Roach é um modelo de integridade artística,
profundidade intelectual e excelência técnica dentro
do jazz moderno.
(V.A. Bezerra, 2001)

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