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Os grandes do jazz (Ed. Del Prado), nº.52, p.116
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McCoy Tyner (n.1938) > piano
O
pianista McCoy Tyner ficou famoso como companheiro de John
Coltrane em sua grande viagem sonora, como integrante do mítico
quarteto de 1960 a 1965. Tyner nasceu e cresceu em Filadélfia
e estudou piano de maneira sistemática por vários
anos desde muito jovem. No início da carreira, deixou-se
influenciar por Bud Powell, Thelonious Monk e Art Tatum, porém
logo desenvolveria um estilo próprio. Ainda adolescente,
em 1959, trabalhou seis meses com o Art Farmer-Benny Golson
Jazztet e em seguida juntou-se a Coltrane. Estando ainda com
Coltrane, começou a gravar discos sob seu próprio
nome. É interessante notar que, mesmo após deixar
o inesquecível quarteto, a carreira de Tyner não
foi um anticlímax, como se poderia suspeitar depois de
ter participado de uma aventura sonora de tal magnitude. Ao contrário,
seu prestígio continuou crescendo. Seu estilo se tornou
talvez mais extrovertido, mais desenvolto - devido, possivelmente,
ao fato de não estar mais à sombra de um gigante
(ainda que Coltrane jamais negasse a seus colaboradores plenas
condições de se expressar individualmente). Mas
o importante é que a marca registrada de Tyner - o uso
magistral dos acordes - permaneceu.
Os
acordes de mão esquerda de Tyner estão longe de
constituir mero acompanhamento. Graças a um grande conhecimento
das potencialidades acústicas do piano e a uma concepção
harmônica incomparavelmente avançada, Tyner usa os
acordes para conduzir a ação, para estabelecer as
linhas mestras. Os acordes são protagonistas, não
coadjuvantes. Outra característica marcante é que,
ao contrário de muitos pianistas, à medida que o
desenvolvimento de um improviso se encaminha para seu clímax,
Tyner não começa a congestionar o espaço
sonoro com um frenesi de notas rápidas, sugerindo um extravasamento
emocional. Ao contrário, ele começa a jogar cada
vez mais com grandiosas e sofisticadas seqüências de
acordes em ambas as mãos, deixando-os soar plenamente,
valorizando suas ressonâncias. Os solos de Tyner freqüentemente
seguem um padrão de desenvolvimento que, ao contrário
do usual, vai do exuberante ao extático (e apenas falsamente
es-tático). É como se Tyner julgasse que
a máxima dramaticidade há de ser obtida pela máxima
introspecção, pela máxima concisão.
(V.A. Bezerra, 2001)

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