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Berendt / Feather et al - História do Jazz (Abril), p.74
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Stan Kenton (1911-1979) > piano, bandleader
Nos
anos 50 Stan Kenton um dos bandleaders mais famosos (talvez o
mais famoso) do jazz norte-americano, e ainda hoje a sua orquestra
é indiscutivelmente cult entre muitos amantes do jazz moderno.
A música de Kenton é singular, porque se baseia
numa vigorosa tentativa de fusão entre o jazz e a música
erudita européia. Durante toda a sua carreira, ele se manteve
fiel a suas convicções estéticas pessoais,
e exerceu influência sobre muitos músicos.
O
arranjador Pete Rugolo teve importância fundamental na cristalização
do som Kenton. É inevitável ver analogias
entre a colaboração Kenton-Rugolo, iniciada em 1947,
e aquela que se estabeleceu entre outro bandleader e seu arranjador,
a saber, Duke Ellington e Billy Strayhorn.
Mesmo
os outros (excelentes) arranjadores com quem Kenton viria a trabalhar
posteriormente haveriam de manter a marca imprimida por Rugolo.
Na música da orquestra de Kenton pode-se encontrar toques
de impressionismo a la Debussy, expressionismo a la
Stravinsky e mesmo uma certa grandiloqüência que evoca
Wagner - tudo isso posto a circular no interior de um referencial
jazzístico. Essa mistura agradou muito a um certo segmento
do público, fazendo de Kenton uma celebridade. O fato de
se tornar uma celebridade, por sua vez, agradou muito a Kenton,
que sempre tratou de manter uma imagem de líder bem
sucedido, inclusive vestindo-se impecavelmente como um astro
de Hollywood.
Além
do talento de Rugolo, é justo lembrar que Kenton também
tinha a seu favor uma grande capacidade de organização,
uma personalidade carismática e padrões elevados
de qualidade técnica. Certamente também se beneficiou
da presença de grandes solistas em sua orquestra: por exemplo,
Lee Konitz, Bud Shank e Charlie Mariano ao sax; Maynard Ferguson,
Conte Candoli e Shorty Rogers ao trompete; Frank Rosolino ao trombone;
Shelly Manne à bateria e Eddie Safranski ao contrabaixo
- para citar apenas alguns.
Para
uns, o resultado do projeto musical kentoniano foi genial; para
outros, foi pretensioso, megalomaníaco, esnobe, etc. Lembremos
que críticas parecidas foram feitas a Dave
Brubeck e ao Modern Jazz Quartet
- outros expoentes da third
stream (fusão clássico-jazz) e defensores
da forma e da estrutura. A qualidade musical da música
produzida pela orquestra de Kenton, porém, resiste ao teste
do tempo. Parece certo que, dentro da história do jazz,
a orquestra de Kenton certamente se coloca ao lado das de Woody
Herman, Duke Ellington, Count Basie e outros, formando uma constelação de
inesquecíveis máquinas instrumentais.
(V.A. Bezerra, 2001)

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