|
|
Site (a verificar)
|
Victor Assis Brasil (1945-1981) > sax soprano, sax alto
O
extraordinário saxofonista Victor Assis Brasil constitui
um caso único no jazz brasileiro. Nascido em 1945, começou
a tocar profissionalmente em 1965 e estudou de 1969 a 1973 na
Berklee School of Music, nos Estados Unidos. Voltou ao Brasil
e aqui permaneceu até que, em 1981, uma doença circulatória
rara e grave o tirou prematuramente de nosso convívio.
Tinha apenas 35 anos. Porém, sua obra gravada (sete discos
lançados em vida), as centenas de composições
inéditas que deixou e a lembrança de inúmeros
e memoráveis concertos bastam para colocá-lo como
o maior instrumentista brasileiro.
Maior
instrumentista brasileiro? Pode-se ir além. Alguém
que ouça as gravações de Victor poderia perfeitamente
ser levado a fazer uma afirmativa ainda mais radical: trata-se
de um músico do porte de Charlie
Parker e John Coltrane
logo, um dos maiores jazzistas de todos os tempos.
Certamente,
tal juízo merece uma explicação, e por incrível
que pareça não é difícil justificá-lo.
Basta considerar objetivamente a sua música. Os improvisos
de Victor são de grande fôlego criativo, uma verdadeira
torrente de idéias encadeadas de maneira perfeitamente
coerente. O discurso é incisivo, focalizado, sempre dotado
de forte sentido de direção. Seu fraseado é
arrojado e altaneiro. O timbre é puro, tanto no sax alto como no sax soprano, graças a uma técnica
estupenda, a mesma que lhe permitia articular frases em alta velocidade
sem perder a nitidez do som. Nas peças em andamento lento,
Victor também é um intérprete excepcional,
desenhando frases de grande expressividade.
Não
bastasse isso, Victor revelou a amplitude de sua concepção
musical quando, em seus últimos anos, começou a
trilhar o caminho dos experimentos da third
stream, a fusão do jazz com a música erudita.
Isso fica claro por algumas de suas composições
inéditas peças para orquestra, para quarteto
de cordas, e até um concerto para piano e orquestra
bem como por sua atuação como solista clássico
(por exemplo, na estréia da Suíte para sax
soprano e cordas, do grande compositor brasileiro Marlos
Nobre, em 1976).
Se
em trinta e cinco anos Victor conseguiu fazer o que fez, ficamos
a pensar no que ele poderia ter realizado, a que alturas poderia
ter chegado, se tivesse tido mais tempo...
(V.A. Bezerra, 2001)

|