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Sebastião Tapajós (n.1944) > violão
Paraense de Santarém,
Sebastião Tapajós começou a estudar violão
aos nove anos de idade, tendo seu pai como professor. Mudou-se
para Belém e depois, em 1963, para o Rio, sempre continuando
os estudos de violão clássico. Em 1964 foi para
Portugal, onde se formou no Conservatório Nacional de Música
de Lisboa. Depois estudou na Espanha com o famoso mestre Emilio
Pujol, formando-se no Instituto de Cultura Hispânica. Depois
de completar os estudos, voltou primeiro para Belém e depois
para o Rio, procurando iniciar uma carreira de concertista. O
evento que deu impulso decisivo à sua carreira foi a execução
da obra-prima de Villa-Lobos, o Concerto para Violão
e Pequena Orquestra, com a Orquestra Sinfônica Nacional
no Teatro Municipal do Rio. A partir daí seguiram-se vários
convites para concertos no Brasil e no exterior.
Nos anos seguintes,
Tapajós foi mergulhando cada vez mais na música
brasileira, tanto como compositor quanto como intérprete,
pesquisando ritmos e temas populares e folclóricos. Essa
pesquisa lhe possibilitou gravar vários discos formados
exclusivamente por composições próprias,
vazadas em um idioma musical genuinamente brasileiro. Porém
não deixou de tocar composições de outros
autores, como Tom Jobim, Baden Powell, João Pernambuco,
Astor Piazzolla e outros. Igualmente continuou exercitando seu
lado de solista clássico, interpretando peças de
Heitor Villa-Lobos (de quem gravou em 1993 os famosos Estudos
e Prelúdios, tão cultuados por todos os violonistas),
Agustin Barrios, Antonio Lauro e Guido Santórsola, entre
outros.
Tapajós é
hoje um músico consagrado na Europa, onde se apresentou
um sem-número de vezes durante as últimas décadas,
particularmente na Alemanha. Naquele país o disco Guitarra
Criolla foi eleito disco do ano em 1982. Ao longo da carreira,
Tapajós gravou mais de 50 discos. Recebeu mais de 20 prêmios,
tendo sido eleito melhor músico brasileiro em 1992 pela
Academia Brasileira de Letras. Tocou com Gerry
Mulligan, Astor Piazzolla, Oscar
Peterson, Paquito DRivera, Zimbo
Trio, Maurício Einhorn, Hermeto Pascoal, para mencionar
apenas os principais. Tapajós sofreu um enfarte em junho
de 2001, mas em setembro do mesmo ano já estava de volta
aos palcos, apresentando-se no Teatro Municipal de Niterói.
O estilo de tocar
de Sebastião Tapajós é vigoroso e incisivo,
e o som que tira do instrumento é cheio e encorpado. Ele
gosta de utilizar efeitos percussivos, variações
de timbre (do som mais doce, tocando próximo à boca
do instrumento, ao mais metálico, próximo ao cavalete
do instrumento), sons harmônicos, repetição
ritmada de acordes em ostinato e outros recursos.
(V.A. Bezerra, 2001)

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