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Antônio Carlos Jobim (1927-1994)
> piano

Tom Jobim tinha 14 anos quando deparou-se pela primeira vez com um piano. Era um Bechstein alugado por sua mãe para que Helena, irmã mais nova do compositor, aprendesse a tocar. A atração veio logo nas primeiras notas, combinadas de brincadeira. Não demorou muito para que Tom começasse a ter aulas com o alemão Hans Joachim Koellreytter, com quem aprendeu os princípios básicos do instrumento e as primeiras noções de harmonia e composição. Em seguida, foi introduzido nos clássicos de Bach, Beethoven, Chopin, Ravel, Debussy e Villa-Lobos pelas mãos de Lúcia Branco. Nessa época, aprendera a tocar também violão, flauta e harmônica de boca. Formou um conjunto de gaitistas com aquele que seria seu primeiro parceiro e grande companheiro da Bossa Nova, Newton Mendonça.

Nascido em 1927 no bairro da Tijuca, Rio de Janeiro, Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim mudou-se ainda pequeno para um areal pouco habitado na Zona Sul da cidade, conhecido por Ipanema. Passou lá os primeiros anos da infância e transferiu-se em seguida para Copacabana.

Criado pela mãe, o avô e os tios maternos, Tom tinha apenas um ano quando os pais se separaram pela primeira vez. O casamento se desfez definitivamente após uma curta reaproximação em 1931, quando nasceu Helena. A família voltou a transferir-se para Ipanema, e foi morar numa casa com fundos para um terreno baldio frontal à Lagoa Rodrigo de Freitas. Foi ali que Tom encontrou o ambiente perfeito para aliar duas paixões: música e natureza.

O compositor casou-se com Thereza Otero Hermanny em 1949 e decidiu prestar vestibular para arquitetura. Foi aprovado, mas não completou o primeiro ano de faculdade. De volta à música, conseguiu um emprego como pianista na Rádio Clube do Brasil e tocava à noite no Bar Michel. Era o início da fase em que passaria pelas principais casas noturnas do Rio de Janeiro, tocando um repertório embalado por sambas, boleros, foxes, rumbas, canções francesas e tangos. Não demorou muito para deixar a vida noturna e se aprofundar nos estudos de harmonia e orquestração. Seu exercício era decorar os arranjos de Glenn Miller nos 78 rotações que colecionava. Estudava “Os princípios de Orquestração”, do russo Rimsky-Korsakov, e passou a ter aulas com Leo Peracchi e Tomás de Terán. Conseguiu um emprego na gravadora Continental, onde fez arranjos para Dalva de Oliveira, Orlando Silva, Elizete Cardoso e Dick Farney. Foi lá que conheceu o arranjador oficial da gravadora, Radamés Gnatalli, pianista, regente e compositor que o adotou prontamente como afilhado musical.

Tom Jobim estreou em disco como compositor, em abril de 1953, com o samba-canção “Incerteza” (parceria com Newton Mendonça e gravado por Mauricy Moura). O primeiro sucesso, no entanto, só veio um ano depois com “Tereza da Praia” (parceria com Billy Blanco). A essa altura, ele já despontava como grande promessa de sua geração. No final daquele ano, foi eleito o segundo melhor arranjador pelo crítico Ary Vasconcellos, dividindo a posição com músicos como Pixinguinha e Renato de Oliveira.

O ano de 1956 reservou ao compositor o fato precioso de conhecer Vinícius de Moraes, que procurava alguém para fazer a música da ópera “Orfeu da Conceição”. Era a primeira obra de uma das duplas mais duradouras e importantes da música popular brasileira. Sucesso de crítica e público, o trabalho foi para o cinema com o nome “Orphée Noir” (Orfeu Negro).

Dirigido pelo francês Marcel Camus e repudiado por Vinícius, o filme ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1959 e foi eleito o melhor filme estrangeiro pelos membros da Academia de Hollywood.

Em 1957, Tom Jobim reencontrou um baiano que havia conhecido anos antes no Rio de Janeiro e acabara de chegar de Salvador. Era João Gilberto, que foi logo mostrando duas novas composições, “Bim-Bom” e “Oba-lá-lá”. A batida diferente do baiano, inspirada nos “quindins* das lavadeiras de Juazeiro”, chamou a atenção de Tom. Ele percebeu que aquele jeito de tocar era o que faltava para nascer a Bossa Nova. O trabalho de parto começou no ano seguinte, quando o compositor carioca lançou um disco gravado por Elizete Cardoso com “Chega de Saudade” (em parceria com Vinícius de Moraes). A canção voltaria a ser gravada por João Gilberto, em álbum que apresentava também o samba-manifesto “Desafinado”. O disco chegou às lojas em março de 1958. E a Bossa Nova veio à luz.

O segundo disco de João Gilberto trazia três músicas de Tom Jobim, entre elas “Samba de uma nota só”, que se transformaria em um dos hinos do novo estilo. Já era 1962 quando um show memorável, batizado de “Encontro”, apresentaria outros cinco clássicos da Bossa Nova: “Só Danço Samba”, de Tom e Vinícius; “Samba do Avião”, de Tom; “Samba da Benção” e “O Astronauta”, de Baden Powell e Vinícius; e o maior sucesso da dupla Tom-Vinícius, “Garota de Ipanema”, que arrebanhou uma legião de fãs e conquistou vários intérpretes mundo afora. A Bossa Nova se tornou então uma vitrine da música brasileira no exterior e chamou a atenção de jazzistas americanos de peso, como o saxofonista Stan Getz e o guitarrista Charlie Byrd. No mesmo ano em que o show foi apresentado, Getz e Byrd gravaram o LP “Jazz Samba”, que permaneceu nas paradas por diversas semanas. Uma das faixas trazia uma versão instrumental de “Desafinado”, que ganhou novos intérpretes do quilate de Lalo Schifrin, Quincy Jones, Coleman Hawkins e Dizzy Gillespie. A porta do mercado americano estava aberta, e os brasileiros não perderam a oportunidade de entrar.

Em novembro de 1962, a turma da Bossa Nova fazia sua primeira apresentação no Carnegie Hall, em Nova York. A desorganização do show frustou os participantes, mas a cidade ganhou novos hóspedes. E Tom Jobim não foi o único. João Gilberto e Sérgio Ricardo também ficaram nos Estados Unidos, e conheceram os maiores templos do jazz da cidade. Foi nessa época que Tom Jobim gravou seu primeiro disco americano, “Antonio Carlos Jobim — The Composer of Desafinado Plays”, para a gravadora Verve. Participou ainda de álbuns primorosos como “Jazz Samba Encore!” (com Stan Getz, Luiz Bonfá e Maria Helena Toledo) e “Getz/Gilberto” (com Getz, João Gilberto e Astrud Gilberto). Quando 1964 chegou ao fim, Tom recebeu três prêmios Grammy pela autoria de “Desafinado” e “Garota de Ipanema” e pelos arranjos de “Brazil’s Brilliant João Gilberto”.

De volta ao Brasil, o compositor tomava um chope com os amigos quando recebeu o telefonema mais inusitado de sua carreira. Era Frank Sinatra lhe dizendo que queria gravar um LP só com músicas suas. No final de janeiro de 1967 começaram as primeiras gravações de “Albert Francis Sinatra & Antonio Carlos Jobim”, eleito pela crítica americana o álbum do ano. Nas vendas, o disco perdeu apenas para “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, dos Beatles. O segundo trabalho dos dois, “Sinatra & Company”, com arranjos de Eumir Deodato, sairia dois anos depois.

Além de Vinícius de Moraes, outro grande parceiro brasileiro de Tom Jobim foi Chico Buarque. O primeiro trabalho da dupla, “Retrato em Preto e Branco”, aconteceu em novembro de 1967. No mesmo ano, a dupla venceu o III Festival Internacional da Canção com “Sabiá”. Mas eles se afastariam logo em seguida por causa da situação política no Brasil. A ditadura vivia um de seus momentos mais truculentos quando Tom boicotou o festival de 1968 e entrou definitivamente para a lista negra dos militares. Preso em 1970 para prestar depoimento, o compositor encontrou uma saída para escapar do cerco militar: escrever músicas para o cinema, incluindo produções estrangeiras. Naquele mesmo ano, compôs a faixa “Chovendo na Roseira” para o filme “Os Aventureiros”. Era o início da fase ecológica de Tom, que duraria cerca de quatro anos. Nesse período, ele gravou outro clássico, “Águas de Março”, dessa vez com Elis Regina.

Em meados dos anos 70 o compositor conheceu e se apaixonou pela fotógrafa Ana Beatriz Lontra, então com 19 anos. O namoro começou somente depois da separação com Thereza e marcou uma fase de temporadas pelo Brasil, Europa e Estados Unidos. No final da década, Tom acrescentou ao seu repertório preciosidades como “Você Vai Ver” e “Falando de Amor”. Gravou ainda os álbuns “Miúcha & Tom Jobim”, o duplo “Terra Brasilis”, que reatou sua parceria com Chico Buarque, e dividiu um disco com Edu Lobo, (“Tom & Edu, Edu & Tom”).

No começo da década de 80, o músico voltou a compor para a televisão e para o cinema. A valsa Luíza foi tema da telenovela “Brilhante” e Passarim esteve na trilha de “O Tempo e o Vento”. Escreveu ainda a valsa Eu te amo, em parceria com Chico, para o filme homônimo de Arnaldo Jabor. Em obras como “Gabriela” (1982), “Para Viver um Grande Amor” (1983) e “Fonte da Saudade” (1985) sua participação foi muito além do tema principal. Ganhou seu primeiro disco de ouro com o LP “Passarim” e escreveu “Anos Dourados” para a minissérie da Rede Globo. É nessa época que surgiu também a Banda Nova, composta pelo cantor e flautista Danilo Caymmi, o filho Paulo Jobim, o baixista Tião Neto e o baterista Paulo Braga. Tom Jobim dispensou os metais, substituindo-os pelas vozes femininas de Ana e da filha Beth Jobim e Simone, mulher de Danilo. O grupo ganhou ainda o violoncelo de Jaques Morelenbaum e participações de sua mulher, Paula, e Maúcha Adnet.

Tom Jobim voltou ao Carnegie Hall em março de 1989 para celebrar o jubileu de prata da gravação de “Garota de Ipanema”. Em 25 anos, a música ultrapassara as 3 milhões de execuções em emissoras de rádio e televisão e fez do compositor o segundo autor estrangeiro mais executado nos Estados Unidos. Mas as homenagens não ficaram restritas aos palcos internacionais. Em 1992, ele foi o tema do samba-enredo da Mangueira, “Se todos fossem iguais a você”. No ano seguinte, um tributo à sua obra no Free Jazz Festival reuniu estrelas como Herbie Hancock, Shirley Horn, Ron Carter, Joe Henderson, Gonzalo Rubalcaba, Jon Hendricks e Oscar Castro Neves. A temporada foi encerrada com disco novo, “Antonio Brasileiro”. Mas esse foi também o último de sua carreira. Em 15 de setembro, três dias após gravar sua parte no segundo dueto com Frank Sinatra, viajou até Nova York para submeter-se a uma angioplastia e fazer uma avaliação do sistema circulatório. Os médicos detectaram um tumor maligno na bexiga e marcaram uma cirurgia para o dia 6 de dezembro, no Mount Sinai Medical Center. No dia 8, enquanto convalescia da operação, Tom Jobim teve uma parada cardíaca às 8h. A segunda, duas horas depois, provocada por uma embolia pulmonar, lhe seria fatal. O corpo desembarcou no Rio de Janeiro no dia 9 e foi enterrado no cemitério de São João Batista.

 

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