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César Camargo Mariano (n.1943)
> piano

Aos treze anos de idade César ganhou de seu pai um piano. Começou a dedilhar o teclado e a tirar músicas de ouvido guiado por alguns toques de seu pai, professor de música. Nove meses mais tarde foi convidado a participar do show da trombonista norte-americana Melba Liston, então trombonista de Dizzy Gillespie. No mesmo ano se apresenta na Rádio Globo, sendo apresentado como: “o menino prodígio que toca jazz”.

No mesmo ano conhece Johnny Alf que passa a frequentar sua casa. O pai da bossa nova se dá muito bem com toda a família Mariano e eles o convidam a morar em sua casa. Nesse período que conviveu com Alf, César progrediu muito conforme o mestre lhe desvendava os segredos da harmonia, composição e arranjo. Tudo de ouvido sem estudar a sério teoria.

Passados dois anos César decide se dedicar à teoria e passou a estudá-la com seu pai. Meses depois desistiu dos estudos e seguiu tocando de ouvido com pequenos grupos, até que recebeu um convite para participar do programa Passaporte para o Estrelato, na TV Record.

Em 1958, aos quinze anos de idade, em decorrência da vinda de Nat King Cole ao Brasil e da forte influência que o músico exercia sobre som, César foi convidado para fazer a divulgação do show de Nat. O menino aparecia com as mãos e os braços pintados de preto tocando temas do músico. O próprio Nat King Cole ficou muito impressiono ao ver a chamada e mandou convidar o tal menino para o show. Entusiasmado foi barrado na porta por ser menor de idade e nunca mais viu o ídolo.

Dois anos mais tarde, embora não soubesse ler partitura, foi aceito na orquestra de William Furneaux, passando a tocar em bailes de três a quatro vezes por semana. Aos dezesseis já era músico profissional. Nessa mesma época, sendo o dinheiro da música insuficiente conseguiu um emprego em banco e montou um quarteto com Théo de Barros no contrabaixo, Flavio Abbatepietro no trumpete e José Luis Schiavo na bateria, tocando em festas e bailes.

O grupo encantou o maestro Enrico Simonetti que os convidou para uma temporada de 160 apresentações e sugeriu que o grupo fosse aumentado surgindo o grupo Três Américas. No tradicional bar paulistano Baiúca, integrou o quarteto do contrabaixista Sabá, o Sabá Quartet, acompanhado Hamílto Pitorre na bateria e Théo de Barros no violão, tocando lá por cerca de dois anos. Formou em 64 um outro trio com Airto Moreira e Humberto Clayber no contrabaixo, o "Sambalanço Trio". No mesmo ano foi convidado por Lennie Dale, um coreógrafo e cantor ítalo-americano que nasceu como Leonardo La Ponzina, para fazer a produção musical de um espetáculo sobre a bossa nova, o qual rendeu o disco "Lennie Dale & Sambalanço Trio no Zumzum".

Nos anos seguintes fez a direção e produção musical de diversos cantores como Marisa Gata Mansa, Wilson Simonal, Elizeth Cardoso e finalmente Elis Regina. Em 1971, produziu, arranjou e dirigiu seu show no Teatro da Praia e também seu disco pela PolyGram, Elis. Para a tarefa chama um time invejável de músicos: Hélio Delmiro na guitarra, Luisão Maia no baixo e Paulo Braga na bateria. Produziu e dirigiu os próximos doze discos da cantora, entre eles os impagáveis: "Elis e Tom" e "Elis em Montreux".

No começo dos anos oitenta compôs trilhas para os filmes “Eu te amo”, de Arnaldo Jabor e “Além da Paixão”, de Bruno Barreto. Em 1988, excursionou todo o Brasil e América Latina com o show Ponte das Estrelas, no qual era acompanhado pelos baixistas Luisão Maia e Pedro Ivo; os percussionistas Azael Rodrigues e João Parahyba, Ulisses Rocha no violão e guitarra e Pique Riverte, saxofones e flauta. Sendo também lançado em disco ao vivo. No ano seguinte apresentou-se no festival de jazz de Montreux fazendo um duo com João Bosco e também fez dez apresentações na Espanha com um trio acústico formado por Paulo Moura e Hélio Delmiro.

Em 1990 voltou a escrever trilhas para o cinema e teatro. Quatro anos mais tarde mudou-se para Nova Iorque. Lá encontrou Sadao Watanabe de quem recebeu o convite para produzir e arranjar seu próximo álbum, "In Tempo". Produziu e arranjou também o seguinte, Viajando. Excursionou diversas vezes ao Japão integrando o grupo do saxofonista. Apresentou-se também no Blue Note de Nova Iorque, na mesma época. Em 1995 gravou a trilha sonora para um programa da televisão japonesa. No mesmo ano, no Chile, encontrou Michel Petrucciani em um festival e sentando-se ao seu lado no piano executaram um tema a quatro mãos.

No ano seguinte formou um quarteto com Romero Lubambo na guitarra, Leo Traversa no baixo e Mark Walker para apresentar uma homenagem a Elis Regina, no festival de Montreux, tendo como convidado especial Milton Nascimento. Em 1997, sendo o comandante de uma das noites do Heineken Festival, convida o saxofonista Michael Brecker e a cantora Diana Reeves, tocando em São Paulo, Rio e Porto Alegre.

Ainda nos anos noventa, foi convidado por duas vezes (97-99) pelo maestro e produtor Ettore Stratta para ser o diretor musical e arranjador do “All Jobim Concert” no Carnegie Hall, dos quais participaram, entre outros, Dori Caymmi, Joe Lovano, Sharon Isbin, Al Jarreau, Ivan Lins, Michael Brecker e Romero Lubambo.

Em 1998, fez outra série de show com o saxofonista Sadao Watanabe, desta vez, acompanhado por Paulo Braga na bateria, Marcelo Mariano no contrabaixo, Romero Lubambo na guitarra e violão e Café na percussão. Lá fez também jingles para comerciais veiculados na TV japonesa. Apresentou-se em duo com o guitarrista Romero Lubambo no Birdland, em Nova Iorque e no Jazz Showcase, em Chicago.

Escreveu o arranjo, no ano seguinte, para o disco de Romero Lubambo, Love Dance e também o arranjo de cordas do disco Blossom’s Planet, da cantora Blossom Dearie.


Fernando Jardim



 

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