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Ernesto Nazareth (1863-1934)
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Nazareth é um dos músicos de maior importância para a cultura brasileira. Pianista e compositor, sua obra essencialmente instrumental consolidou o “choro” como ritmo musical genuinamente brasileiro. Músico de formação erudita através do piano expressava a musicalidade típica do violão, da flauta e do cavaquinho, mantendo assim um diálogo com a música popular. Foi combinando elementos da polca, da havaneira e do lundu que criou o que chamava de “tangos brasileiros”, precursores do que hoje conhecemos como “choro”. Foi também influenciado por compositores europeus, notadamente Chopin, cuja inspiração se nota na elaboração melódica de suas valsas. Deixou como obra cerca de 90 tangos, 40 valsas e 20 polcas, sendo o restante dividido em gêneros variados como mazurcas, schottiches, marchas carnavalescas, sambas, etc…Tendo seu talento reconhecido por seus contemporâneos era louvado por todos. Para Mário de Andrade, Nazareth era “um virtuoso do piano”, para Villa-Lobos, “Nazareth é a verdadeira encarnação da alma brasileira”, para Francisco Mignone ele “deve ser considerado um clássico da música brasileira nacionalista”. O reconhecimento à sua obra não impediu entretanto que tivesse uma vida pessoal conturbada e com final trágico.

Nazareth nasceu no Rio de Janeiro, no morro do Nheco, atual morro do Pinto, no bairro de Cidade Nova, em 20 de Março de 1863. Faleceu na mesma cidade em 4 de Fevereiro de 1934. Atravessou durante sua vida períodos conturbados da história do Brasil como a guerra do Paraguai, o movimento abolicionista e a instauração da República.

Sua iniciação no piano se dá com sua mãe, Carolina Augusta Pereira da Cunha, que na época tocava valsas, modinhas e polcas em saraus e reuniões. Após ela falecer em 1873 seu pai, Vasco Lourenço da Silva Nazareth, funcionário da alfândega, confia a educação musical do jovem Ernesto, na época com apenas 10 anos, ao amigo da família e pianista amador Eduardo Madeira.

Foi sob a tutela de Madeira que Ernesto, aos 14 anos, compõe sua primeira canção, a polca-lundu “Você Bem Sabe” a qual dedica ao pai. Impressionado com o talento de seu jovem pupilo Madeira o apresenta a Arthur Napoleão, um dos grandes divulgadores da música no cenário cultural do Rio de Janeiro da época. Dono da “Casa Arthur Napoleão” ele comercializava pianos, editava partituras e promovia constantes audições em seu estabelecimento. Entusiasmado com a composição de Ernesto, Napoleão prontamente decide edita-la, encorajando o jovem que a partir daí resolve dedicar-se profissionalmente ao piano e a música.

Depois de Madeira, Ernesto estudou ainda com o francês Lucien Lambert para então seguir como autodidata .

Em 1879 Nazareth compõe a polca “Cruz Perigo”, que depois viria a ser considerada o seu primeiro tango. Em 1893 Nazareth lança pela Casa Vieira de Carvalho o tango “Brejeiro”, que fez grande sucesso não só no Brasil como também no exterior onde foi gravado pela Banda da Guarda Republicana de Paris. Seu primeiro concerto como pianista aconteceu no Salão Nobre da Intendência da Guerra em 1898.

Em 1907 foi nomeado terceiro escriturário do tesouro nacional, cargo que ocupou por pouco tempo. Em 1919, época em que os discos eram raros e o cinema mudo, a única maneira de conhecer as novidades musicais era através dos pianistas que eram contratados para “demonstrarem” as músicas. Foi com essa função que Nazareth se empregou na Casa Carlos Gomes. Conhecido por seu gênio forte é sabido que interrompia quem considerasse não estar tocando bem.

Mas foi entre 1920 e 1924 que Ernesto ficou famoso como pianista ao ser contratado por Francisco Serrador, o grande reformador da Cinelândia carioca, para tocar na sala de espera do cinema Odeon, aonde os espectadores chegavam aproximadamente uma hora antes da sessão para desfrutarem da música executada pelos grandes instrumentistas da época. Entre eles Heitor Villa-Lobos, então violoncenista da orquestra do maestro Andreozzi. Foi durante esse período, em 1922, que Ernesto estreiou no ambiente musical erudito. A convite do compositor Luciano Gallet fez parte de um recital no Instituto Nacional de Música, onde executou os tangos “Brejeiro”, “Nenê”,”Bambino”e “Turuna”.

Em 1930 Ernestou lançou pela gravadora Odeon a polca “Apanhei-te, Cavaquinho” que ele denomina pela primeira vez de “choro”. Em 1932 lança sua última composição, o tango “Gaucho”.

Em 1933 abalado com a morte da mulher e da filha, diagnosticado com sífilis e após longo processo de perda da audição que se iniciou na infância e que culminou naquele ano com sua total surdez, ele é internado no Instituto Neuro-Psiquiátrico situado na Praia Vermelha e posteriormente na Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá no Rio de Janeiro. Um ano depois ele foge desta instituição e é encontrado morto, afogado na Cachoeira dos Ciganos, onde supostamente teria se suicidado.