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Os Grandes do jazz, no.52(Ed. Del Prado)
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John Coltrane (1926-1967) > sax tenor, sax soprano, flauta
John
Coltrane é o saxtenorista mais cultuado
do jazz. Nascido em Hamlet, Carolina do Norte,
e neto de um pastor evangélico, John William
Coltrane cresceu em High Point e em New Jersey.
Começou a carreira tocando em big bands,
após a Segunda Guerra. De 1955 a 1960 fez
parte do histórico quinteto-sexteto de
Miles Davis,
tendo participado de discos memoráveis
como Cookin', Relaxin', Steamin', Workin',
Milestones e Kind of Blue. Essa foi
a sua primeira grande fase, musicalmente falando,
embora tenha sido um período difícil
em sua vida pessoal, devido a um vício
em heroína adquirido no final dos anos
40. (Esse problema foi o motivo de Miles o demitir
e recontratar duas vezes, em 1956 e 1957.) Enquanto
estava com Davis, também fez várias
gravações como sideman, e
em 1957 fez sua primeira gravação
como líder.
Em
1960, após deixar o conjunto de Miles,
Coltrane iniciou uma nova fase, liderando um quarteto
com McCoy Tyner ao piano, Jimmy Garrison ao contrabaixo e Elvin Jones à bateria, e iniciou uma
ousada e inédita exploração
do espaço sonoro jazzístico. Coltrane
desenvolveu um estilo absolutamente próprio,
onde predominavam as chamadas sheets of sound
(folhas ou camadas de som), que se compunham de
longas frases de notas rápidas tocadas
em legato. Coltrane embarca numa redicalização
da harmonia que o leva à beira do atonalidade.
Também fragmenta e desconstrói os
temas, deixando-os quase irreconhecíveis
sob um congestionamento de frases torturadas.
A produção do quarteto de Coltrane
entre 1960 e 1965 é um marco na história
do jazz, comparável ao quinteto de Miles.
As várias, longuíssimas e impressionantes
versões de Coltrane para My Favorite
Things, valsa aparentemente banal de Rodgers
e Hammerstein, são antológicas.
Em 1965 o quarteto cria aquela que é unanimemente
considerada sua obra-prima, a suíte em
quatro movimentos A Love Supreme.
Embora
vindo do hard
bop, o Coltrane de 1955 a 1965 já podia
ser considerado em certo sentido um precursor
do free jazz.
Porém em 1965 sua ligação
com a vanguarda se torna ainda mais direta, quando
se une a músicos free como o baterista
Rashied Ali, os saxtenoristas Archie Shepp e Pharoah
Sanders, entre outros. Sua mulher, a pianista
Alice Coltrane, também o acompanha nessa
nova, arrojada e curta fase. O disco Ascension
é uma obra-prima desse período,
já desvinculado da harmonia tonal. Bastante
religioso, Coltrane imprimiu às suas obras
de 1965-1967 um forte conteúdo religioso
e místico. Morreu repentina e prematuramente,
em 1967, aos 40 anos, de câncer no fígado.
Após sua morte, uma grande quantidade de
gravações inéditas foi sendo
localizada e lançada, permitindo ao público
avaliar melhor o quão monumental é
sua obra.
Sobre
Coltrane, escreve o crítico André
Francis: "Não poucos medíocres
julgaram poder imitar Coltrane. Ora, tocar como
ele exige uma fé enorme. Coltrane era puro,
generoso, gostava do mundo; seu rosto espelhava
calma e franca formosura. Os que o imitam não
passam de aproveitadores. (...) Em tudo a vida
de John Coltrane é exemplar. Nenhum escândalo,
nenhuma fraqueza, quase nenhuma anedota frívola:
música, isso sim, acima de tudo. (...)
Muitos há que tocam e agem como ele (...)
Mas falta-lhes a mesma fé." Dificilmente
se poderia acrescentar algo a tais palavras.
(V.A. Bezerra, 2001)

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