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Os grandes do jazz, no. 31 (Ed. Del Prado)
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Stan Getz (1927-1991) > sax tenor
O
crítico musical Alain Gerber coloca Stan
Getz entre os cinco saxtenoristas verdadeiramente
revolucionários da história do jazz
(os outros seriam Coleman Hawkins, Lester Young,
Sonny Rollins
e John Coltrane).
De fato, existe base para tal julgamento. Nos
anos cinqüenta Getz foi o tenorista máximo,
e é um dos artífices do cool
jazz. Se posteriormente outros nomes vieram
a assumir o primeiro plano, Getz nunca deixou
de ser grandemente respeitado pelos colegas, pelos
críticos e pelo público. Não
é à toa que ganhou o apelido de
"The Sound". Técnico consumado
de seu instrumento, estilista impecável
e improvisador inspirado, Getz possuía
um timbre puro e uma fluidez inigualável
no fraseado.
Tendo
começado a trabalhar em 1947 na orquestra
de Tommy de Carlo, viu-se na companhia de outros
três sax-tenores - Zoot Sims, Jimmy Giuffre
e Herbie Steward - que possuíam uma abordagem
semelhante e uma sonoridade afim. Embora raro,
o conceito de ter dentro de um conjunto quatro
solistas para o mesmo instrumento deu excepcionalmente
certo. O entrosamento era tal que os quatro foram
apelidados de "The Four Brothers". Woody
Herman - sempre perspicaz na caça aos bons
valores - contratou Getz, Sims e Steward para
sua orquestra; o quarto "irmão"
ficou sendo o sax-barítono Serge Chaloff.
Durante a sua permanência com Woody, foram
marcantes a gravação do tema de
Giuffre, "Four Brothers", e o solo de
Getz em "Early Autumn". Quando deixou
a orquestra de Herman, em 1949, Getz já
possuía renome e passou a tocar como líder
em pequenos conjuntos. A idéia dos "irmãos"
continuou numa gravação com os tenoristas
Sims, Al Cohn, Allen Eager e Brew Moore. Nas décadas
seguintes, Getz fez inúmeras turnês
pela Europa, especialmente na Escandinávia,
inclusive morando ali por alguns anos. Tocou junto
com Chet Baker e Gerry Mulligan - como ele, expoentes
do cool jazz.
Getz
teve uma relação sólida com
a bossa nova: seu disco com João Gilberto
foi um grande sucesso comercial nos anos sessenta
e se tornou cult - para não falar
nos seus outros discos de música brasileira
e na presença constante de temas brasileiros
em seu repertório, ao longo de décadas.
Getz
pode ser considerado em certo sentido um discípulo
de Lester Young, pelo menos no que se refere ao
som e à articulação, e isso
já foi repetido por muitos críticos.
Mas também é bem mais do que isso.
Por exemplo, mesmo nas baladas emotivas, Getz
mantinha uma total objetividade. Aquilo que outros
solistas poderiam transformar em carga emocional,
Getz transformava em elementos estéticos
objetivos. E Getz não era apenas um músico
cool. Assim
como acontecia com Gerry Mulligan - e até
em maior grau - ele foi influenciado pelo bebop
(tocou inclusive com Dizzy
Gillespie). Suas improvisações
nos temas em andamento rápido são
de tirar o fôlego, seja pelo virtuosismo,
seja pelas idéias surpreendentes.
Confira:
Donald L. Maggin. Stan Getz: A Life in Jazz. Nova York, Williams Morrow and Company, 1996.
(V.A. Bezerra, 2001)

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