Nascido
em 19 de abril de 1899, em Washington DC, Edward
Kennedy Ellington mais tarde receberia o apelido
de Duke (duque) de um amigo de infância,
por sua maneira pomposa de se vestir. Filho de
um casal pertencente à classe média
negra, Ellington teve uma infância tranqüila.
Seu pai era mordomo na Casa Branca e sua mãe
o mimava ao extremo. Começou a estudar
piano, aos sete anos, incentivado pela mãe,
que mesmo nos períodos mais difíceis
mantinha suas aulas. Ellington não demostrou
grande interesse pelo instrumento até os
treze anos, quando conheceu, em uma viagem com
sua mãe a Atlantic City, o pianista Harvey
Brooks, que lhe mostrou atalhos e ensinou alguns
"truques".
Seu
primeiro emprego, no entanto, não foi na
música. Sua grande paixão antes
do piano foi o baseball, e para poder ver seus
ídolos, arrumou um emprego de vendedor
de amendoim. Costumava dizer que esse emprego
o ajudou a vencer a timidez uma vez que tinha
de gritar para conseguir seus trocados.
Em
Washington, dois pianistas puseram o jovem Duke
sob suas asas: Oliver "Doc" Peri e Louis
Brown tiveram grande importância na formação
musical do bandleader, ensinando-lhe a ler partituras
e ajudando-o a aprimorar a técnica. Entrou
para um sexteto chamado The Washingtonians,
que tocava músicas dançantes em
bailes. Foi nesta época que começou
sua carreira de bandleader, quando os músicos
do sexteto descobriram que o líder da banda,
o banjonista Elmer Snowder, estava passando-lhes
a perna. Expulsam-no e elegem Duke o novo líder.
Um
de seus ídolos foi o grande (em todos os
sentidos) Fats Waller. O mestre do piano foi um
de seus grandes incentivadores e fundamental nos
primeiros anos de Ellington em Nova Iorque. Na
Big Apple (apelido dado à cidade
pelos músicos de jazz), Ellington entra
em contato com sons novos, diferentes do ragtime
ouvido em Washington. Passa a ouvir os pianistas
de stride do Harlem, assim como o som melodioso
e swingado de Sidney Bechet e Louis Armstrong.
O
nome de Ellington, que já era relativamente
conhecido por conta de algumas transmissões
de rádio, rapidamente se espalha. Consegue
um contrato para tocar no Cotton Club e as sessões
são transmitidas para todo o Estados Unidos.
Com o sucesso das apresentações
consegue dinheiro suficiente para contratar os
melhores músicos disponíveis. Entre
os grandes nomes que tocaram com ele e deram à
banda sua identidade estão: Ben Webster,
Jimmy Blanton, Cootie Williams, Bubber Miley,
Harry Carney e Johnny Hodges.
Em longa e bem-sucedida
turnê pela Europa com sua banda, sente-se pela primeira
vez respeitado como homem, músico e artista. De volta da
viagem e excursionando pelos Estados Unidos, em 1939, Ellington
conhece em Pittsburgh o prodígio do piano Billy
Strayhorn. Apesar de características completamente
opostas, Strayhorn seria seu colaborador musical por toda a vida.
As homenagens a Duke
Ellington são inúmeras. Recebeu a medalha da Legião
de Honra do governo francês, a Medalha Presidencial da Liberdade
do presidente norte-americano, foi o primeiro músico de
jazz a entrar para a Academia Real de Música de Estocolmo,
e foi honoris causa nas mais importantes universidades do mundo.
Duke Ellington redefiniu
a forma, harmonia e melodia da música americana, escrevendo
mais de duas mil composições até sua morte
em 1974.
Fernando Jardim
