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Mestres do Trompete (Interview/Editora Azul)
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Dizzy Gillespie (1917-1993) > trompete
Dizzy
Gillespie é um dos mentores do bebop,
um dos criadores da linguagem do trompete jazzístico
moderno, e um verdadeiro embaixador da música.
Os únicos trompetistas que se equiparam
a Dizzy, em termos de importância musical
e histórica, são Louis
Armstrong e Miles
Davis.
Nascido
em Cheraw, Carolina do Sul, John Birks Gillespie
experimentou o trombone antes de se decidir aos
12 anos pelo trompete, instrumento com o qual
se iniciou profissionalmente aos 14. Tocou em
diversas orquestras, na segunda metade dos anos
30 e na no início dos anos 40, como as
de Frankie Fairfax, Cab Calloway, Benny Carter,
Lionel Hampton, Duke
Ellington, Teddy Hill e outros. Dizzy teve
como grande modelo o trompetista Roy Eldrige,
a quem inclusive substituiu na Teddy Hill Band,
em 1937. O jeito irreverente e as brincadeiras
que fazia com colegas e mesmo com os próprios
regentes lhe valeram não poucas reprimendas
e até demissões. Entre 1942 e 1945,
Dizzy tocou nas orquestras de Earl Hines e de
Billy Eckstine, que consituíram verdadeiros
celeiros de talentos do nascente estilo bebop.
Em
1941 Dizzy encontrou Charlie Parker pela primeira
vez, quando este tocava na orquestra de Jay McShann.
A partir daí, os dois tocaram juntos diversas
vezes, com diferentes grupos, sempre gravitando
em torno da famosa Rua 52 - eram sem dúvida
os maiores astros da cena - e dando contornos
definitivos ao bebop. Somente em 1945, porém,
Dizzy e Bird finalmente gravariam juntos.
Em
1945 Dizzy opta pelo formato big band. Sua orquestra
do período 1946-1950 contou com músicos
de peso, como Milt
Jackson, John Lewis, Ray Brown e Kenny Clarke
(que, juntos, constituiriam a primeira formação
do Modern Jazz Quartet), além de Jay Jay
Johnson, Yusef Lateef e até John
Coltrane. Essa orquestra teve que ser desfeita
em 1950 devido a dificuldades econômicas.
Mas Dizzy continuou muito ativo, e participou
de turnês do Jazz at the Philarmonic.
Em 1956 formou novamente uma orquestra, que até
1958 fez turnês patrocinadas pelo Departamento
de Estado norte-americano. Nos anos 60, 70 e 80,
alternou as big bands com as pequenas formações.
Fez numerosíssimas turnês por todo
o mundo, tocando com músicos locais sempre
que podia. Durante toda a carreira, Dizzy esteve
sempre aberto a influências étnicas,
como a música cubana, brasileira, africana
e do Oriente Médio.
Dizzy
Gillespie é um dos maiores virtuoses do
trompete (talvez o maior), e trata de explorar
essa qualidade em suas apresentações.
Seu fraseado é cheio de elementos surpreendentes
e saltos vertiginosos, explorando as notas superagudas
do instrumento. Sua capacidade criativa como improvisador
parece inesgotável. O arrojo, a agressividade
e o humor da música de Dizzy podem ser
vistas como uma extensão de sua personalidade
de showman e entertainer nato. Dizzy também
canta e nunca deixou totalmente de lado o seu
lado clown, para deleite das platéias
de todo o mundo.
(V.A. Bezerra, 2001)

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