Um
dos mais importantes músicos de jazz vindos
do velho continente, Dave Holland nasceu em Wolverhampton,
na Inglaterra, e aos quatro anos começou
a tocar ukelele (algo semelhante a um cavaquinho),
passando pela guitarra e piano aos dez, decidindo-se
finalmente aos treze pelo contrabaixo elétrico.
Além de algumas noções formais
de música que aprendeu no breve período
em que teve aulas de piano, Holland é autodidata.
Passava seus dias escutando e tirando de
ouvido músicas de discos de sucesso
da época e programas de rádio. Em
1959, então com treze anos, Dave forma
com alguns amigos uma bandinha que toca em bailes
e bares da interiorana cidade inglesa.
Sua
carreira de músico começa a deslanchar
e aos quinze decide abandonar a escola e dedicar-se
exclusivamente à música. Nesta época
sente a necessidade de expandir seus horizontes
musicais. É quando descobre o jazz e se
encanta pelos contrabaixistas Ray Brown e Leroy
Vinnegar; e um contrabaixo acústico passa
a ser sua maior necessidade. Rapidamente economiza
algum dinheiro e compra o sonhado instrumento,
com o qual poderia acompanhar os discos de sua
nova inspiração, o jazz. Quando
não estava tocando nas bandas de festas,
circulava com seu contrabaixo acústico
pelos bares de jazz da cidade e freqüentemente
tocava com jazzistas locais. Essas apresentações
eventuais lhe valeram um emprego em uma banda
de bailes e casamentos, e pouco tempo mais tarde
surge uma oferta de trabalho em Londres, tocando
em um restaurante.
Em
Londres tem o privilégio de estudar com
James E. Merritt, o contrabaixista principal da
Orquestra Filarmônica de Londres. Por recomendação
de seu mestre tenta e consegue uma bolsa de estudos
integral na Guidhall School por três anos.
Após apenas dois anos já era o primeiro
contrabaixista da escola e começa a tocar
com os melhores músicos de jazz de seu
país. Apresenta-se com freqüência
no tradicional jazz club londrino Ronnie Scott,
tocando com gigantes como Ben Webster, Coleman
Hawkins e Joe Henderson.
Em
julho de 1968, Miles Davis, de passagem pelo clube,
ouve o jovem baixista e o convida a integrar a
sua banda. Holland obviamente aceita e cerca de
um mês mais tarde parte para Nova Iorque.
Excursiona com a banda de Miles pelos dois anos
seguintes e participa de vários discos
do trompetista, entre eles os clássicos
In a Silent Way e Bitches Brew.

Ao
sair da banda de Miles, forma com Chick Corea,
Anthony Braxton e Barry Altschul o grupo Circle,
onde começa a se apresentar tocando também
o violoncelo. O grupo não tem vida muito
longa e no ano seguinte Holland entra para a banda
de Stan Getz, depois de algumas colaborações
com Thelonious Monk. Nesta mesma época
conhece Sam Rivers, seu grande parceiro musical.
Em 1970 deixa o quarteto de Getz e faz sua primeira
gravação como líder, Conference
of the Birds, álbum muito bem recebido
pelo público e crítica. Começa
a dar aulas no Creative Music Studio em Nova Iorque
e a concentrar-se em seu trabalho ao lado de Anthony
Braxton e Sam Rivers.
Em
1975 forma junto com o guitarrista John Abercrombie e o baterista
Jack DeJohnette o grupo Gateway, que se mantém ativo até
os dias de hoje, tendo formado ainda diversos quintetos com músicos
da nova geração como Joe Lovano, Chris Potter e
Kevin Eubanks, assim como figuras mais tarimbadas como Billy Higgins,
Jack DeJohnete e Joe Henderson. Mantém-se também
ativo na carreira acadêmica.
Fernando Jardim
