Garoto
prodígio do Harlem, Bud Powell começou
a tocar piano ainda aos cinco anos de idade; aos
sete já era levado por músicos de
jazz a concertos e ensaios para ser admirado por
outros músicos; e aos dez já imitava
músicos como Fats Waller e Art Tatum, sendo
este último a maior influência sobre
ele. Na adolescência conhece seu amigo,
guru e admirador Thelonious Monk.
Excêntrico
e solitário, aos vinte anos leva pancadas
na cabeça de um policial durante uma briga
de bar, ao que se seguem fortes dores de cabeça,
e ainda maior estado de ausência.
É internado de hospital em hospital. No
entanto, no mesmo período ajuda a criar,
ao lado de Charlie Parker, Thelonious Monk e Dizzy
Gillespie o bebop.
Powell era um dos únicos músicos
capazes de desafiar Parker em duelos, como os
de Round Midnight, em histórica
gravação ao vivo no Birdland.
Em
1941 já tem um nome relativamente estabelecido
no meio musical nova-iorquino e é convidado
pelo ex-trompetista da orquestra de Duke
Ellington, Cootie Williams, a excursionar
com sua banda. Agravam-se seus problemas com a
bebida, e passa dias perambulando pelas ruas,
voltando para casa com a ajuda de amigos como
o então adolescente e admirador Jackie
McLean, que cuidou dele durante certo período.
Anos
mais tarde, é preso junto com Monk por
porte de drogas e é mais uma vez mandado
para uma instituição psiquiátrica,
onde permanece por um ano e meio. Lá recebe
sessões de eletrochoque e só lhe
é permitido tocar piano uma vez por semana,
sob supervisão. Sua memória foi
seriamente danificada, não se lembrando
de amigos próximos, como Monk, e não
reconhecendo gravações suas. Ao
sair estava ainda mais alterado; seu estilo fica
definitivamente prejudicado, e durante os anos
50 suas apresentações são
por vezes geniais e freqüentemente pobres.
Em
1959 muda-se para Paris, acompanhado de uma moça
a quem chamava de Buttercup (algo
como chuchu) e que se dizia sua esposa;
no entanto, nunca foram casados. Tempos mais tarde,
seu amigo Francis Paudras descobre que a tal moça
lhe dá doses diárias (e cavalares)
de calmantes, e junto com Johnny Griffin o afasta
de Buttercup.
Bud
Powell melhora e volta a escrever música.
Compõem um tema cheio de vida intitulado
"In the Mood for a Classic", dedicado
ao povo francês, que tanto apreciava a sua
música e o tratou com muito carinho nos
cinco anos que lá viveu. Então o
amigo francês Paudras consegue agendar seis
semanas para o amigo no Birdland de Nova York.
Bud recebe mais atenção em seu retorno
do que em toda sua carreira, e seu retorno é
um sucesso. Mas não leva muito tempo para
que o comportamento irregular de Powell atrapalhe
seus planos novamente, e o contrato de seis semanas
é cancelado antes de seu término,
só se apresentando mais duas vezes em público.
Solto
em Nova York, Powell retorna à sua vida
errática e auto-destrutiva. Volta a beber
descontroladamente, o que o leva à morte
por cirrose hepática aos 41 anos. Apesar
do curto tempo de vida (passado, em grande parte,
em instituições mentais) e das poucas
gravações, Powell figura entre os
maiores nomes do jazz.
Fernando Jardim