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LP John McLaughlin - Electric Guitarist(CBS)
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Tony Williams (1945-1997) > bateria
Tony Williams nasceu
em Chicago e cresceu em Boston. Seu pai, saxofonista
amador, incentivou-o a estudar bateria e o levava
aos clubes para dar oportunidade ao jovem Tony
para se familiarizar com o meio jazzístico.
Estudou com Alan Dawson e aos quinze anos já
tocava em jam sessions, chamando a atenção
dos músicos mais experientes. Tocou em
1959 e 1960 com Sam Rivers e, ao se mudar para
Nova Iorque em dezembro de 1962, passou a tocar
com Jackie McLean. Miles
Davis, sempre atento a potenciais grandes
talentos, chamou-o em 1963 para integrar seu quinteto.
Juntamente com Herbie Hancock e Ron
Carter, o adolescente Tony (então com
17 anos) formou dentro do quinteto uma seção
rítmica fenomenal, que iria marcar época.
Tony ficaria com Miles até o disco In
a Silent Way, de 1969, imediatamente antes
do histórico álbum Bitches Brew.
(Em 1964, também havia participado de um
disco clássico de Eric Dolphy, Out to
Lunch.)
Em 1969, Tony formou
o grupo Lifetime, que se tornaria cult
como um dos mais influentes grupos do recém-criado
jazz-rock.
Da primeira formação faziam parte
o guitarrista John McLaughlin e o organista Larry
Young, aos quais logo se juntaria o contrabaixista
Jack Bruce. O grupo teria outras formações
(inclusive contando com a presença de Ron
Carter), mas os críticos geralmente
consideram que a consistência musical do
grupo caiu com o passar dos anos. Enquanto isso,
Williams fez algumas gravações como
líder de outros grupos. Também tocou
no grupo V.S.O.P. de Herbie Hancock em
1976-77 e na reunião feita em 1992 em homenagem
a Miles Davis.
O estilo de tocar
de Tony é bastante pessoal. É difícil
encontrar-lhe precursores; poderíamos citar
talvez Elvin Jones, o baterista do quarteto de
John Coltrane.
No entanto Tony trouxe para o drumming jazzístico
uma liberdade controlada até
então inédita. Seu toque é
inquieto, nervoso, com o uso freqüente de
quiálteras e riffs na caixa e nos
tom-toms que à primeira vista parecem estar
fora do tempo, mas na realidade estão,
isso sim, a tornar mais complexa - e não
menos precisa - a marcação
do tempo. Tony também gosta bastante de
usar os pratos para condução. Apesar
disso, embora seja um drumming complexo, é
importante notar que não é sobrecarregado,
mas relativamente nítido e limpo, bem delineado.
Williams abriu para
o baterista moderno de jazz um novo horizonte,
no qual se poderia tocar com liberdade e ainda
assim manter um pulso básico perceptível.
Na verdade, a melhor maneira de caracterizar a
maneira de tocar de Tony é dizer que ela
não corresponde a uma marcação
do tempo (andamento), mas sim a um sublinhar
do tempo, a uma colocação em
perspectiva do tempo. Por exemplo, a acentuação
não é aquela padronizada, que funciona
como um simples semáforo para os outros
músicos; ao contrário, é
uma marcação que coloca riscos
(num sentido criativo) para os outros executantes,
mas ainda assim é perfeitamente válida
para aqueles que sabem se aproveitar dela.
Williams não
é um baterista free nem anárquico.
Ele não representa um rompimento completo
com a tradição percussiva, mas sim
uma radicalização dela, levando-a
até os limites. O baterista atual com o
qual Williams teria mais afinidade é Jack
DeJohnette. Williams não executava, por
exemplo, um power drumming como aquele
praticado pelo outro grande baterista da fusion,
Billy Cobham.
Tony Williams nos
deixou prematuramente, aos 52 anos, de ataque
cardíaco após uma cirurgia relativamente
rotineira. Estava em plena forma e sua criatividade
em nada havia decrescido. Como observam Richard
Cook e Brian Morton, A morte de Williams
foi uma perda cruel para o jazz, e também
um desperdício desnecessário. Seu
legado é rico e complexo. O que é
doloroso é perceber que ele estava justamente
ingressando em uma nova fase, em um novo nível
criativo. Esse legado persiste nas gravações
e na memória dos que o assistiram em antológicas
apresentações ao vivo.
(V.A. Bezerra, 2001)

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