West Coast
O baterista Shelly Manne costumava apresentar seus
músicos assim: No sax alto, Frank Strozier, de Memphis,
Tenessee. Ao piano, Russ Freeman, de Chicago, Illinois. Nosso
trompetista é Conte Candoli, de Mishawaka, Indiana. No
contrabaixo, Monte Budwig, de Pender, Nebraska. E eu sou Shelly
Manne, da cidade de Nova Iorque. Nós tocamos West Coast
jazz...
A blague de Manne, que também foi usada
por Stan Getz (registrada
no disco Line for Lyons, com Chet
Baker), mostra que chamar um determinado estilo de
jazz da costa oeste pouco ou nada tinha a ver com
a localização geográfica. É verdade
que no final dos anos 40 e nos anos 50 fazia-se muito jazz em
Los Angeles, em particular por músicos que trabalhavam
para os estúdios de Hollywood. Na melhor das hipóteses,
portanto, a música que faziam deveria se chamar Los
Angeles Jazz... Mas será que isso basta para definir
um estilo musical? Parece muito pouco. Para caracterizar o West
Coast jazz é preciso buscar algum outro elemento comum,
mais profundo.
Deixando
de lado a questão da propriedade ou impropriedade do nome,
o que mais foi apontado para caracterizar o West Coast Jazz? Existem
aqui alguns equívocos persistentes e algumas verdades.
É verdade que se trata de um estilo de jazz que provém,
em certa medida e em linhas muito gerais, do cool.
Mas é falso que, como já foi afirmado por muitos
o West Coast seja: (1) um jazz de brancos apenas;
(2) um jazz sem swing; (3) um estilo coeso e bem definido. Para
desarmar a primeira afirmação, basta lembrar de
diversos músicos negros que atuaram no West Coast; a segunda
afirmação cai por terra quando se observa que muitos
tinham por inspiração o estilo vigoroso de mestres
como Ben Webster, Coleman
Hawkins, Dizzy Gillespie,
Charlie Parker e Bud
Powell; quanto à terceira, os estilos individuais abrangiam
um espectro bastante variado, indo desde o quase cool
até o quase free, passando pelas
influências bebopistas e pelas experiências
classicistas a la Third Stream.
O fato
é que a melhor maneira de definir o West Coast acaba sendo
mesmo a simples enumeração de seus expoentes, mais
do que a aplicação de algum critério estético
bem definido. As fileiras do West Coast incluíam, entre
outros, os trompetistas Shorty Rogers e Conte Candoli, o contrabaixista
Eddie Safranski, o baterista Shelly Manne e o saxofonista e clarinetista
Jimmy Giuffre. Também se destaca o pianista Lennie
Tristano, que se tornou cult - efetivamente um musician's
musician (músico para os músicos) - com sua
música sofisticada e experimental, que oscila entre o cool
e o quase free .
(V.A. Bezerra, 2001)
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