Latin Jazz
Latin Jazz é o nome pelo qual é conhecida a fusão
entre o jazz e a música afro-cubana. Essa fusão
pode ter suas origens rastreadas até o trompetista e arranjador
Mario Bauza. Bauza apresentou Dizzy
Gillespie ao percussionista Chano Pozo - o que deu origem
a uma famosa parceria entre estes dois no período 1947-1948
- e também incentivou o conhecido bandleader Machito a
usar solistas de jazz em suas performances. O bandelader Stan
Kenton e o baterista Gene Krupa também introduziram
elementos caribenhos no jazz, o que viria a se tornar decididamente
uma moda com a ascensão das orquestras de Tito Puente,
mais tradicional, e Carl Tjader, mais jazzística, nos anos
50. O Latin Jazz e a música dita "latina" chegaram
a ser dos gêneros mais populares naquela época. Em
tempos mais recentes, o Latin Jazz adquiriu contornos mais elaborados,
deixando de se basear apenas no exotismo e nos ritmos dançantes,
para incorporar também elementos do jazz mais avançado.
Hoje encontramos nesse estilo grandes virtuoses, como os pianistas
Gonzalo Rubalcaba e Chucho Valdés, o saxofonista e clarinetista
Paquito D'Rivera e o trompetista Arturo Sandoval, que possuem
um discurso musical sofisticado e por vezes até francamente
cerebral, sem no entanto deixar e ser vigoroso e contagiante.
Os três últimos participaram do grupo Irakere,
uma super big band afro-cubana formada em 1973, pela qual passou
quase toda a intelligentsia desse estilo musical.
Um rótulo como jazz afro-cubano já é
um tanto enganoso, uma vez que esconde sob um único termo
toda a diversidade musical daquela região do globo. Um
rótulo como jazz latino, então, é
ainda mais genérico e menos informativo. Não obstante,
os rótulos parecem ser inevitáveis na mídia
e na crítica, e só nos resta resignarmo-nos a usá-los,
ainda que seja apenas para facilitar a comunicação.
O Latin Jazz hoje não deixa nada a dever - seja em termos
de elaboração, de técnica ou de criatividade
- às correntes mais avançadas e dinâmicas
do jazz moderno.
(V.A. Bezerra, 2001)
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