Voz
Como lembra Joachim Ernst Berendt, em seu livro O Jazz - Do
Rag ao Rock, o jazz nasceu da música vocal. Porém
tornou-se, ao longo das décadas, uma música instrumental
por excelência, fazendo com que também a voz se tornasse
um instrumento, e que os vocalistas passassem a cantar de maneira
semelhante a um trompete, um trombone ou um saxofone. Berendt
resume a dialética do canto no jazz por meio da seguinte
fórmula: todo o jazz vem da música cantada e
todo o canto vem da música instrumental.
Em que pese essa tentativa de aproximação
com o instrumental, é certo que a voz tem menos recursos
do que os instrumentos construídos pelo homem - por exemplo
no que se refere à extensão, à potência
sonora ou à velocidade de articulação, para
não falar na capacidade de emitir notas simultâneas,
base da harmonia e da polifonia. No entanto, ainda assim a voz
humana é sem dúvida o instrumento mais flexível
e com maior potencial expressivo de todos.
Aproximando-se da estética instrumental,
e privilegiando elementos como a expressividade, o timbre e o
"swing", é claro que o canto jazzístico
não poderia seguir os mesmos padrões da música
de concerto. A maioria dos cantores de jazz não se enquadraria
dentro dos critérios técnicos do canto lírico,
por exemplo. O canto no jazz admite um espectro muito amplo, quase
ilimitado, de técnicas, estilos e abordagens.
(V.A. Bezerra, 2001)
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