Ejazz – o site do jazz e da música instrumental brasileira
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ejazz entrevista: Heriberto Porto

Ejazz: Como surgiu o interesse pela música? Cresceu em um ambiente musical? Algum incentivador?

Heriberto: Desde cedo fui cativado pelos sons, apesar de não pertencer a uma família de músicos. Morava no interior do Ceará. Lembro que por volta dos 7 anos ouvi na televisão o brasileirinho com Waldir Azevedo e essa música me deixou fascinado. O interesse veio crescendo progressivamente. Encontrei já muitos incentivadores, principalmente na Bélgica onde vivi 12 anos.

Ejazz: Já começou com a flauta? Como consegui seu primeiro instrumento?

Heriberto: O primeiro instrumento de que me lembro foi uma escaleta dos meus irmãos. Tenho gravado até hoje na memória a altura das notas deste instrumento. Daí a importância de começar cedo a música para a aquisição do chamado "Ouvido absoluto", que nada mais é do que a capacidade de identificar os sons. Depois comecei, já na Capital (Fortaleza), umas aulas de flauta doce no colégio. Daí pra flauta transversal foi um pulo. Estudei uns três anos violino mas quando cheguei na Bélgica em 83 tive de parar pois tinha de dar conta de muito estudo e dois instrumentos era demais.

Ejazz: O que costumava ouvir? Quais músicos o cativavam?

Heriberto: Comecei a ouvindo (ativamente) o Chico Buarque, o Milton Nascimento, o Paulinho da Viola , nos anos setenta, influenciado pelos irmãos mais velhos Marcio e Rui. Era o tempo da repressão e me sentia um resistente de 12 anos lendo Maiakovski, Marx e ouvindo a censurada "Cálice", do Chico. Depois passei a a ouvir o jazz-rock de McLaughlin, de Miles Davis, Wether Report e os clássicos, Mozart, Vivaldi, Handel.

Ejazz: Como foi parar na Bélgica?

Heriberto: De 80 a 82 fiz parte de uma orquestra de jovens da catedral de Fortaleza. O Arcebispo na época, Dom Lorscheider, ajudou na ida para a Bélgica com contatos e uma bolsa de estudos que era em cruzeiros. Lá chegando a hiperinflação 'comeu' a bolsa em poucos meses . Se não fosse a ajuda de pessoas de grande espírito humanitário teria voltado logo e não teria estudado. A Bélgica foi escolhida por ser de língua francesa, mas sem a arrogancia da França. Por ser no centro da Europa, ao lado da Alemanha, Holanda, Inglaterra.

Ejazz: Quais as suas influências? música erudita, jazz e música brasileira? São essas as influencias do Marimbanda?

Heriberto: Minhas influências são essas mesmo. O jazz, a música erudita e a brasileira. Vieram nesta ordem. Estudei muito o erudito, depois o jazz e finalmente a música brasileira como sendo uma volta a casa, de ver que nossa música é ímpar, é bela, e sem fazer parte de uma competição com outras tendências ela tem uma beleza incrível, reflexo da nossa cultura e riqueza.
Os músicos brasileiros têm de despertar para isso. Enquanto o mundo tenta nos imitar/copiar, muitos músicos acham que tem que tocar como os americanos.
Marimbanda é um feliz casamento de várias gerações. Luizinho Duarte, veterano baterista, violonista e compositor do grupo bebeu muito na fonte do choro, do samba swingando, de Laerte de Freitas, de Zimbo Trio. Tocou de tudo e muitos anos de baile. É a escola da intuição, da sabedoria, da vivência prática. O Ítalo Almeida apesar da pouca idade é um grande pianista e improvisador que ouve Bill Evans e Chick Corea mas compõe frevos e sambas.

Ejazz: Com quem já tocou e com quem gostaria de tocar?

Heriberto: Fiz muita música de câmera na Europa e também gravei um cd com o grupo que lá tinha. Cheiro de choro. Era um choro revisitado por belgas, espanhóis e brasileiros. Trabalhei em orquestras e fiz alguns concertos como solista. De volta ao Ceará encontrei grandes músicos como Manasés, Nonato Luiz, Aroldo Araújo, Adelson Viana, Zivaldo Maia, Orquestra Eleazar de Carvalho (com quem tive o prazer de tocar ou gravar). Gostaria de tocar com Hermeto Pascoal, é claro, nossa grande inspiração, nosso grande homem. Hermeto Para Presidente, já!

Ejazz: Pode me contar um pouco sobre o trabalho do grupo Alberto Nepomuceno? E de sua experiência como professor?

Heriberto: O quinteto de sopros é uma das formações mais bonitas que já pude participar. Flauta, oboé, clarinete, fagote e trompa se misturam perfeitamente. O quinteto toca composições brasileiras e arranjos muito bonitos de choros e frevos, então a gente fica nas nuvens...
Participo também do Syntagma (syntagmacear.vila.bol.com.br) que faz um elo entre música antiga européia e nordeste, com flautas, cravo, viola da gamba e percussão.
Como professor ensino além da flauta, harmonia, solfejo, história. Tento passar sobretudo o amor à música à vontade de fazer bem, a maneira de estudar e que música é uma brincadeira, brincadeira seríssima, quanto melhor fizermos música melhor estará o mundo.

 

MARIMBANDA

O grupo Marimbanda surgiu em Fortaleza em 1999, ganhando a aposta de fazer surgir no cenário musical brasileiro um grupo com identidade própria, interpretando suas próprias composições mas também arranjos de musicas nordestinas, brasileira e mundiais.

O Grupo lançou em 2001 seu primeiro CD pelo selo carioca "Perfil Musical". "Marimbanda" faz um passeio pelos mais variados ritmos brasileiros, samba, baião, frevo, choro,bossa, etc, mostrando a riqueza da nossa música instrumental e dando espaço à improvisação e à expressividade de cada músico.

O grupo é formado pelos músicos: Luizinho Duarte, baterista, violonista e arranjador de grande experiência no cenário musical nacional. Trabalhou com o cantor Tim Maia, com Maria Betânia, Elza Soares, Leila Pinheiro como também com diversos nomes importantes da música cearense. É o compositor do grupo e está lançando no Japão um Cd com suas composições. Heriberto Porto, flautista com mestrado em Bruxelas, estudou jazz e improvisação na Bélgica onde gravou dois Cds. É professor de flauta e harmonia na Universidade Estadual do Ceará e atua igualmente no universo da música clássica (Quinteto de Sopros, Grupo Syntagma de música antiga, Orquestra Eleazar de Carvalho). Junior Costa, baixista , com estudos em Brasilia e Ítalo Almeida, pianista, participou de vários cursos de piano e jazz e mostrou ser uma das maiores revelações da música cearense atual. (Recebeu o Premio Nelsons da música cearense como melhor pianista). Faz Shows e gravações com Raimundo Fagner.

Marimbanda realiza regularmente concertos em teatros de Fortaleza ( Theatro José de Alencar, Centro Cultural Dragão do Mar, Teatro do Sesc, Centro Cultural do Banco do Nordeste) .Participou em do Festival de Jazz e Blues de Guaramiranga (2001 e 2002 ) e do Prêmio Visa/ Instrumental de Musica Brasileira em São Paulo como também do recente Dragão Jazz de Fortaleza e Ceará Music. Em abril 2002 Marimbanda realizou uma série de shows na cidade do Rio de Janeiro sendo sucesso de público e críticos. O grupo mostra agora ao mundo sua música neste CD, com participações de Adelson Viana, ( acordeon), Charles Loos ( piano) e Marcos Maia (Violão). Marimbanda é o nome de uma música homônima de Adriano Giffoni, baixista cearense de renome.

Confira:

www.centrolago.it/marimbanda

 
apoio cultural




O flautista Heriberto Porto, proeminente músico nordestino, nos falou de seu
ingresso na música, sua carreira, projetos e seu grupo Marimbanda.


 

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