Ejazz – o site do jazz e da música instrumental brasileira
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entrevista
MARVIO CIRIBELLI: jazz "bem" brasileiro


Muitas vezes define-se o jazz pelo improviso,
pela vibração e entusiasmo e pelo vigor.
Então, sem dúvida, a música de Marvio Ciribelli é jazz.
Mas que jazz? Um jazz bem brasileiro, que incorpora nossos ritmos (samba, frevo, baião, choro e bossa nova) ao que há de melhor na tradição jazzística, criando uma identidade que se impões sem deixar dúvidas.

Quem lhe incentivou a tocar?

Minha família sempre me incentivou. Meu pai, que adora música, foi muito importante quando resolvi largar a faculdade de Engenharia na Uff para me dedicar ao que eu realmente gostava!

Que tipo de música seu pai gosta?

Com meu pai conheci As Orquestras de Glen Miller, Tommy Dorsey, Severino Araújo e Zacarias

Como conseguiu o primeiro instrumento? Já começou no piano?

Ganhei do meu pai um órgão eletronico, para tocar na Orquestra do Instituto Abel de Niterói, onde comecei tocando flauta alguns meses antes.

Algum músico na família?

Nossa refência musical na família é o Lúcio (Ciribelli) Alves, falecido há alguns anos e dono de timbre e estilo completamente diferentes dos outros cantores. Lúcio, meu primo em segundo grau sempre teve personalidade musical e eu sempre segui essa máxima: Ser você mesmo.

Pode nos contar um pouco mais sobre sua relação com seu primo Lúcio Alves?
Você alguma vez o acompanhou no palco?

Lembro do Lúcio visitando minha família quando era criança. Acredido que lá para os meus 7 anos de idade... As vidas de meu pai e Lucio são completamente diferentes. Meu pai super regrado e o Lúcio...boêmio.... Eu e o Lúcio tivemos pouco contato, mas lembro que quando resolvi estudar pensando em ser profissional, a primeira pessoa que pensei em consultar foi o Lúcio. Alguns anos depois, quando lancei o primeiro disco, fiz questão de procurá-lo numa homenagem que estava sendo feita a ele no teatro João Teothonio no Rio. Lembro até das palavras: Lúcio eu sou o Marvio, filho do Jomar, queria te dar de presente, com a maior admiração, meu primeiro trabalho gravado (era o Vinil Mantra). A partir daí nos encontramos algumas vezes. Ele foi a vários concertos meus e gostava muito do trabalho. Ele estava querendo fazer um show em que eu participasse e minha irmã também (ela canta). Fiquei muito animado, mas ele já não estava bem de saúde e nós nunca conseguimos realizar o show.

Onde e com quem estudou?

No Abel meu primeiro professor foi o Maestro Pedro Motta. Depois estudei composição e arranjos com o maestro Armando Quezada Kopanica e piano erudito com Prof Aurélio Silveira com quem estudei muito da obra de Ernesto Nazareth. Fiz a minha "Faculdade" de Música com três professores maravilhosos: Antônio Adolfo (piano popular), Luizinho Eça (técnica pianística, arranjos e harmonizações modernas) e Ian Guest (Harmonia Funcional, Percepção e Arranjos)
Você ensina música em algum lugar?

Costumo dar aulas de piano, voltadas para jazz e bossa, improvisão, arranjos e Harmonia Moderna em meu próprio Estúdio.

Quais foram as primeiras influências? Tinha algum ídolo em especial?

No início, gostava muito de escutar músicos que tocavam outros instrumentos como Alex Malheiros, baixista do Azymuth, Luiz Claudio Ramos (hoje violonista e arranjador de Chico Buarque) e Badem Powell. Eu gostava de tentar reproduzir no piano algumas coisas que eles faziam nos seus instrumentos. Resultado, desde o início, meu piano já ficou diferente... depois comecei a ouvir Bill Evans e Keith Jarret até ficar apaixonado pelo que faziam os pianistas brasileiros Amilton Godoy, Cézar Camargo Mariano, Antonio Adolfo, Hermeto Pascoal, Laércio de Freitas e principalmente Luizinho Eça, simplesmente um Gênio!

Com quem tocou e com quem gostaria de tocar?

Toquei com os cantores Altay Veloso, Vanessa Rangel e Bibi Ferreira e com instrumentistas como Alex Malheiros (baixo), Mamão (bateria), Marcio Bahia (baterista do Hermeto), Ronaldo do Bandolim (do Trio Madeira Brasil), Sidinho moreira e Dom Chacal , percussionistas e vários outros! Tenho um projeto na minha Cidade, Niterói, RJ, que em todos os Domingos convido instrumentistas ou cantores que eu gostaria de tocar. Há pouco tempo tive a honra de receber o Bebeto Castilho, que foi o baixista do Tamba Trio.

Como você vê o futuro da música instrumental brasileira?

Os bons instrumentistas continuam aparecendo e estão precisando de espaços para mostrar seus trabalhos. Espero que as atuais gerações não fiquem restritas a universos tão pobres com os que são divulgados atualmente pelos meios de comunicação. Nossos músicos têm que batalhar muito para divulgar seus trabalhos e principalmente acreditar no que fazem...e gostam de fazer.

Pode citar alguns dos momentos mais gratificantes da sua carreira?

O concerto no Parque da Catacumba (Lagoa, Rio de Janeiro) em 1989 que reuniu quase 5.000 pessoas; O convite que recebi do representante americano do festival de Jazz de Montreux (Suiça) e lógicamente os concertos que se seguiram no mesmo ano e que aconteceriam novamente em 94 e 99; e pricipalmente o carinho que recebo da platéia em todos os meus shows!

apoio cultural




confira!

Biografia completa de Marvio Ciribelli, sua discografia e detalhes sobre seu selo Mantra.


contato:

Leonardo Souza e
Marvio Ciribelli

tel/fax: (21) 2610.1425




 

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