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resenhas CDs

O Som
J. T. Meirelles, sax tenor e flautas

gravadora: Dubas
distribuidora: Universal (Brasil)
músicos participantes: Pedro Paulo: trompete / Luiz Carlos Vinhas e Eumir Deodato: piano / Manoel Gusmão: baixo / Dom Um Romão e Edison Machado: bateria / Roberto Menescal: violão / Waltel Branco: guitarra

  1. Quintessência - 4:14
  2. Solitude - 5:37
  3. Blue Bottle's - 5:02
  4. Nordeste - 3:42
  5. Contemplação - 6:02
  6. Tânia - 6:47
  7. O novo som - 1:55
  8. Solo - 1:44
  9. Serelepe - 1:39

Resenha ejazz

Enfim o primeiro e brilhante disco do saxofonista brasileiro J. T. Meirelles está sendo relançado pela Dubas / Universal. Esta gravação antológica, de 1964, foi durante anos um cobiçado item de colecionador. E não sem razão, porque transborda de méritos artísticos. Infelizmente para a música brasileira, Meirelles gravou apenas mais um disco além deste, entrando depois num silêncio de vários anos, período em que foi trabalhar como arranjador para a gravadora Odeon e também como desktop publisher de partituras.

O grupo que toca com Meirelles em O Som é uma máquina instrumental das mais bem ajustadas, com Pedro Paulo ao trompete, esbanjando desenvoltura, e uma seção rítmica composta por Luis Carlos Vinhas ao piano, Manoel Gusmão ao contrabaixo e Dom Um Romão à bateria. Nas faixas bônus, provenientes do segundo disco de Meirelles, O Novo Som, Manoel Gusmão continua tocando contrabaixo, e a ele se juntam Roberto Menescal (violão), Waltel Branco (guitarra), Eumir Deodato (piano) e Edison Machado (bateria); Meirelles passa a tocar também flauta.

O disco que agora temos novamente o privilégio de ter em mãos é um dos mais finos produtos do “samba-jazz”, que tem em Meirelles um dos mentores. O estilo também poderia ser descrito como uma espécie de west coast jazz brasileiro. Como o próprio Meirelles relatou em entrevista, havia influências do bop (Sonny Rollins) e do cool (Stan Getz). O som que Meirelles tira do sax tenor é nítido e um tanto metálico, privilegiando a região aguda do instrumento, e seu fraseado é preciso. Todos os temas do disco são de sua autoria.

Impossível não se entusiasmar com a faixa de abertura, “Quintessência”, com suas tercinas e staccattos alternando-se saborosamente com um legítimo samba. “Todo o grupo funciona como uma mola”, comenta a propósito o saxofonista nas notas do CD. A faixa seguinte, “Solitude”, possui uma seção inicial profundamente cool, com uma mudança de andamento na parte central, para depois revisitar a introdução e se encerrar com uma breve coda que deixa a harmonia da peça em suspenso. “Blue Bottle’s” vem a seguir, e constitui um excelente exemplo do que vem a ser o samba-jazz: a pulsação nunca deixa de ser a do samba, e no entanto as progressões harmônicas e os improvisos são plenamente jazzísticos. “Nordeste”, a quarta faixa, embora não evoque muito o Nordeste brasileiro (a despeito do que sugerem as notas do CD) é uma competente bossa nova que lembra o Zimbo Trio – o mesmo acontecendo com a sexta faixa, “Tânia”. Entre estas duas, temos a extraordinária “Contemplação”, que é, juntamente com a faixa de abertura, um dos pontos altos do disco. O clima da execução lembra bastante “All Blues”, tema do disco Kind of Blue, de Miles Davis , a mais corente com o restante do disco, enquanto “O Novo Som” e “Serelepe” estabelecem um clima mais festivo.

O Som é um disco que não envelheceu nem ficou datado ao longo destas quase quatro décadas, o que atesta a validade da visão musical de Meirelles. É um relançamento obrigatório para quem aprecia a música instrumental brasileira. Para alegria de ouvintes, músicos amadores e instrumentistas profissionais, o próprio saxofonista resolveu colocar on-line as partituras das seis primeiras faixas, que estão disponíveis em seu site pessoal na Internet, no endereço www.jtmeirelles.hpg.com.br

Valter Alnis Bezerra

apoio cultural


 

 

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