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Life After That
Airto Moreira

Músicos:
Meia Noite - percurssão
Marco Gibi - percurssão
Michito Sanchez - percurssão
Giovanni Hidalgo - percurssão
Bob Necksnapp - turntables
Airto Moreira - bateria, percurssão, vocal
Diana Moreira Booker - vocal, arranjos
Katia Moraes, Sonia Santos, Albano Sales, Fabio Soares, Sandro Feliciano, Krishna Booker - chorus vocals.

Produzido por Airto Moreira

Lançamento: Novembro/2003

Faixas:

1. Baba And Malonga Went Home
2. Fica Mal Com Deus
3. Hala, Tumba And Timbal
4. Let It Out Let It In
5. Live Solo
6. Mulata E Futebol
7. O Túnel
8. Redland
9. Ritmo Do Mundo

Tempo total: 54' 21"

Resenha

Com dezenas de gravações, foi somente agora que Airto concluiu seu primeiro álbum de ‘percussão mundial’. LIFE AFTER THAT é uma forte aventura estimulada por incríveis e complexos ritmos e uma ampla gama de percussão, voz e outros instrumentos.

Cada faixa do álbum traz o cuidadoso toque de Airto. Live Solo apresenta Airto no pandeiro. Ele vem desenvolvendo esse solo em especial durante performances ao vivo por muitos anos (o pandeiro foi o primeiro instrumento dado a ele por sua avó). Contribuindo com voz e compondo diversas faixas está a filha, Diana Moreira Booker, e a esposa Flora Purim também dá seu especial dom vocal. Entre muitos percussionistas em LIFE AFTER THAT, Airto convidou o mestre nigeriano Babatunde Olatunji para fazer parte da gravação. Airto e Babatunde conheceram-se em 1975 e tocaram juntos ocasionalmente desde então, incluindo no álbum PLANET DRUM. “Nos últimos anos Baba enfrentou uma doença terminal, mas continuou tocando, ensinando e indo em frente”, diz Airto. “Infelizmente ele faleceu um dia antes da gravação ser feita. Também Malonga Casquelourd foi meu amigo por muitos anos e nós tocamos juntos em muitas ocasiões incluindo nessa gravação. Poucos dias depois que fizemos as sessões de gravação soube que ele tinha morrido em um acidente de carro. Essa é a razão para o título Baba And Malonga Went Home. A música baseia-se em uma jam session onde todos tocaram livremente e juntos ao mesmo tempo”.

Acima disso tudo, Airto deixa a alegria de sua música brilhar. Em Hala, Tumba and Timbal, Giovanni Hidalgo foi convidado a criar algo rápido e forte para que a banda toda pudesse tocar com ele. Airto ficou fora por duas horas e quando voltou ficou sabendo que Hidalgo havia escrito a maior parte dos ritmos em pequenos pedaços de papel e distribuído os mesmos para os músicos. “Ele juntou todas as peças do quebra-cabeça como um mágico. Tudo que precisei fazer foi tocar livremente por cima para criar diferentes texturas e emoções”, lembra-se Airto.

Através de todas as faixas de LIFE AFTER THAT, Airto nos dá um relance de sua visão musical. É uma viagem intensa. Segure-se.

O CD é formado por: RITMO DO MUNDO, O TÚNEL, BABA AND MALONGA WENT HOME, FICA MAL COM DEUS, LIVE SOLO, HALA, TUMBA AND TIMBAL, REDLAND, MULATA E FUTEBOL, LET IT OUT LET IT IN.

Mesmo antes de aprender a andar quando menino em Curitiba, Airto Moreira dançava e batucava no chão toda vez que uma música animada tocasse no rádio. O comportamento preocupava sua mãe, mas sua avó enxergava aquela indescritível faísca. Ela disse à mãe de Airto, “Ele será músico”. E tinha razão.

Depois de décadas de gravações e shows ao redor do mundo, Airto Moreira tornou-se um dos maiores percussionistas, fazendo da percussão parte essencial do jazz moderno. Já aos 13 anos, Airto profissionalizou-se, tocando percussão, bateria e cantando em bandas de dança locais. Ele mudou-se para São Paulo aos 16 e passou a apresentar-se assiduamente em casas noturnas e na televisão. Alguns anos depois, Airto conheceu no Rio Flora Purim — sua futura esposa — e o casal mudou-se para os EUA no final dos anos 60. Em Nova York, o impressionante talento de Airto chegou aos ouvidos dos grandes do cenário de jazz de Nova York. Através de seu colega Walter Booker, Airto começou a tocar com Cannonball Adderley, Lee Morgan, Paul Desmond e Joe Zawinul, para citar apenas alguns. Foi Zawinul quem recomendou Airto a Miles Davis, que buscava um percussionista para BITCHES BREW. Airto preencheu os requisitos perfeitamente e depois foi convidado por Davis para unir-se ao grupo, cujos integrantes formavam um “quem é quem” do jazz: Wayne Shorter, Dave Holland, Jack DeJohnette, Chick Corea, e depois, John McLaughlin e Keith Jarrett. Airto permaneceu com Davis por dois anos, tempo em que se apresentou em LIVE/EVIL, LIVE AT THE FILMORE, ON THE CORNER, entre outros.

Diversos membros da banda de Davis, incluindo Shorter, Zawinul além de Miroslav Vitous, Alphonse Mouzon e Airto uniram-se para formar o Weather Report. Pouco tempo depois, Airto entrou para o grupo de Chick Corea, Return to Forever, que também trazia Flora Purim, Joe Farrell e Stanley Clarke. Com músicos de suas próprias bandas, Airto apresentou-se no mundo todo e gravou álbuns nos EUA e Europa. Através dos anos 70 e 80, ele permaneceu um dos percussionistas mais requisitados da música moderna. Seu faro para encontrar o ritmo certo no momento certo fez com que fosse primeira escolha de Quincy Jones, Herbie Hancock, George Duke e Paul Simon. Suas contribuições para trilhas de grandes filmes, incluindo O Exorcista, Último Tango em Paris, Rei dos Ciganos e Apocalypse Now representam apenas um pequeno número de suas realizações musicais. Airto deu avanço à causa da música world e de percussão como integrante do conjunto de percussão Planet Drum, fundado por Mickey Hart, baterista do Grateful Dead. Este grupo de músicos do mundo, incluindo o mestre do conga Giovanni Hidalgo e o virtuoso do tabla Zakir Hussein, assim como Flora Purim e Babatunde Olatunji, recebeu o Grammy em 1991 pela gravação PLANET DRUM. No mesmo ano, Airto apresentou-se com outro conjunto ganhador do Grammy, o United Nations Orchestra, de Dizzy Gillespie, que recebeu o melhor prêmio por Melhor Álbum Ao Vivo de Jazz. Sua música Celebration Suite foi remixada pelo grupo de DJs Bellini Brothers e intitulado Samba de Janeiro. A faixa chegou à primeira posição nas paradas de dance music em mais de 26 países pela Europa, Ásia e América latina. Airto também trabalhou junto e teve sua música remixada por Frederic Galliano, Giles Peterson, Endemic Void, Justice, Ashley Beedle, Circadian Rhythms, Jimpster, Amon Tobin, Max Breenen, entre muitos outros.

Seu impacto na música tem sido tão forte que a revista Downbeat incluiu a categoria de percussão às pesquisas de críticos e leitores (que ele já ganhou mais de 20 vezes desde 1973). Nos últimos anos, ele foi eleito percussionista top pelas revistas JazzTimes, Modern Drummer e Jazziz, assim como por muitas publicações européias, latinas e asiáticas. A colaboração de Airto com artistas de todos os gêneros é lendária. Mais recentemente, ele apresentou-se como astro convidado com a orquestra Boston Pops Philharmonic em um especial da PBS TV, no Unplugged do Smashing Pumpkins da MTV, com o grupo japonês de percussão Kodo e no álbum do Depeche Mode de 2001, EXCITER.

O legado de Airto está assegurado — não apenas como um performer, mas como mestre de sua arte. Por três anos, foi professor no departamento de música étnica da UCLA, e abriu novos caminhos nos conceitos musicais e de energia criativa.

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