HISTÓRIA
DO JAZZ
Nascido do
blues, das work songs dos trabalhadores
negros norte-americanos, do negro spiritual protestante
e do ragtime, o jazz passou por uma extraordinária
sucessão de transformações no século
XX. É notável como essa música se
modificou tão profundamente durante um período
de apenas um século.
O termo jazz
começa a ser usado no final dos anos 10 e início
dos anos 20, para descrever um tipo de música que
surgia nessa época em New Orleans, Chicago e New
York. Seus expoentes são considerados "oficialmente"
os primeiros músicos de jazz: a Original Dixieland
Jass Band do cornetista Nick LaRocca, o pianista Jelly
Roll Morton (que se auto-denominava "criador do jazz"),
o cornetista King Oliver com sua Original Creole Jazz
Band, e o clarinetista e sax-sopranista Sidney Bechet.
Em seguida, vamos encontrar em Chicago os trompetistas
Louis Armstrong
e Bix Beiderbecke, e em New York o histriônico pianista
Fats Waller
e o pioneiro bandleader Fletcher Henderson. Em 1930 o
jazz já possui uma "massa crítica"
considerável e já se acham consolidadas
várias grandes orquestras, como as de Duke
Ellington, Count
Basie, Cab Calloway e Earl Hines.
A evolução
histórica do jazz, assim como da literatura, das
artes plásticas e da música clássica,
segue um padrão de movimento pendular, com tendências
que se alternam apontando em direções opostas.
Em meados dos anos 30 surge o primeiro estilo maciçamente
popular do jazz, o swing,
dançante e palatável, que agradava imensamente
às multidões durante a época da guerra.
Em 1945 surge um estilo muito mais radical e que fazia
menos concessões ao gosto popular, o bebop,
que seria revisto, radicalizado e ampliado nos anos 50
com o hard
bop. Em resposta à agressividade do bebop
e do hard bop, aparece nos anos 50 o cool
jazz, com uma proposta intelectualizada que está
para o jazz assim como a música de câmara
está para a música erudita.
O cool
e o bop dominam a década de 50, até a chegada
do free
jazz, dando voz às perplexidades e incertezas
dos anos 60. No final dos anos 60, acontece a inevitável
fusão
do jazz com o rock, resultando primeiro em obras
inovadoras e vigorosas, e posteriormente em pastiches
produzidos em série e de gosto duvidoso. Hoje existe
espaço para cultivar todos os gêneros de
jazz, desde o dixieland até o experimentalismo
free, desde os velhos e sempre amados standards até
as mais ambiciosas composições originais
para grandes formações. Mas qual seria o
estilo de jazz próprio dos dias de hoje? Talvez
o jazz feito com instrumentos
eletrônicos - samplers e sequenciadores - num cruzamento
com o tecno e o drum´n´bass. Se esse jazz
possui a consistência para não se dissolver
como tantos outros modismos, só o tempo dirá.